domingo, 31 de janeiro de 2016

Hoje na História: Revolta de 31 de Janeiro de 1891...


No dia 31 de Janeiro de 1891, na cidade do Porto, registou-se um levantamento militar contra as cedências do Governo (e da Coroa) ao ultimato britânico de 1890 por causa do Mapa Cor-de-Rosa, que pretendia ligar, por terra, Angola a Moçambique.
A 1 de Janeiro de 1891 reuniu-se o Partido Republicano em congresso, de onde saiu um directório eleito constituído por: Teófilo Braga,Manuel de Arriaga, Homem Cristo, Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro e Magalhães Lima.
Estes homens apresentaram um plano de acção política a longo prazo, que não incluía a revolta que veio a acontecer, no entanto, a sua supremacia não era reconhecida por todos os republicanos, principalmente por aqueles que defendiam uma acção imediata. Estes, além de revoltados pelo desfecho do episódio do Ultimato, entusiasmaram-se com a recente proclamação da República no Brasil, a 15 de Novembro de 1889.
As figuras cimeiras da "Revolta do Porto", que sendo um movimento de descontentes grassando sobretudo entre sargentos e praças careceu do apoio de qualquer oficial de alta patente, foram o capitão António Amaral Leitão, o alferes Rodolfo Malheiro, o tenente Coelho, além dos civis, o dr. Alves da Veiga, o actor Miguel Verdial e Santos Cardoso, além de vultos eminentes da cultura como João Chagas, Aurélio da Paz dos Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, entre outros.

Nota: Aurélia da Paz dos Reis, viriam a ficar na história como o fundador do cinema português.


Viriato, herói mítico da Lusitânia Romana…



Os relatos mais pormenorizados sobre Viriato, o mítico herói da resistência indígena contra os ocupantes, também se devem a um grego, Diodoro da Sicília (c. 90 a.C. – a 30 a.C.), que o descreve como um chefe justo, corajoso, sóbrio e amado pelos seus homens, mas que acaba assassinado por três dos seus colaboradores mais próximos, graças a um suborno de Roma. “Este Viriato é uma construção filosófica que tem muito pouco a ver com a figura histórica, de que não se sabe praticamente nada, a não ser que era um líder tribal que fez frente aos romanos”, diz Carlos Fabião. “Este herói é um produto da cultura clássica, um defensor da pátria – aqui e em Espanha, é preciso não esquecer que Viriato não é um exclusivo português – antes de ela existir. É uma construção absolutamente anacrónica.”
Verdadeiro ou não, o que sabemos ou julgamos saber dos lusitanos tem muito a ver com esta narrativa ficcional, a de um Viriato que faz parte do panteão dos heróis que combateram Roma. O que a exposição do museu de Arqueologia nos mostra é uma Lusitânia que é produto não do confronto, mas da integração, traçando o perfil de um território que, mesmo depois de conquistado, manteve boa parte da sua organização social, dos seus hábitos e até dos seus deuses.


Lusitânia, uma terra no fim do mundo...


Exposição no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, recua dois mil anos para nos trazer uma província fundada pelo primeiro dos imperadores romanos, Augusto. Um território periférico que exportava minério e conservas de peixe, que o mito fez terra de nereides e cavalos velozes. Até 30 de Junho.
É através do olhar do outro, o invasor, que a conhecemos. Foram os gregos e depois os romanos, que a conquistaram passados 200 anos, que fizeram o retrato dos povos que ali encontraram. Dois milénios depois a Lusitânia continua a ser, nos livros, o extremo ocidental de um império que já não existe, finisterra que exportava minério e conservas de peixe, com uma porta aberta para o oceano.
Província que tinha em Mérida a sua capital – Augusta Emerita, assim se chamava, mandada construir em 25 a.C. pelo próprio Augusto, primeiro grande imperador romano – era vista como o fim do mundo conhecido. Periférica pela geografia, a Lusitânia foi fundada entre 16 e 13 a.C. e foi ganhando importância, primeiro por causa dos minérios do sul da Península Ibérica e depois, com a conquista da Britânia e o apoio às legiões nela envolvidas, como território em que o Mediterrâneo e o Atlântico se encontravam.
Lusitânia Romana: Origem de Dois Povos, a exposição que acaba de ser inaugurada no Museu Nacional de Arqueologia (MNA), em Lisboa, viaja até este território pouco conhecido do império romano, que ocupava grande parte de Portugal, entre o Douro e o Algarve, a actual Extremadura espanhola e uma pequena porção da Andaluzia.


sábado, 30 de janeiro de 2016

Concurso Lusófono da Trofa 2016: Candidaturas abertas até 31 de maio


A Câmara da Trofa lançou a edição 2016 do Concurso Lusófono da Trofa, uma iniciativa apoiada pelo Camões, I.P. destinada a promover a literatura infantil. 
As candidaturas aos prémios Matilde Rosa Araújo, lusofonia e ilustração deverão ser entregues até às 18h00 de 31 de maio de 2016.
O concurso pretende “divulgar autores de língua oficial portuguesa” e “estimular hábitos de leitura e de escrita criativa”, sendo aberto às participações de Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, S. Tomé e Príncipe e Timor-Leste.


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Centenário do nascimento de Vergílio Ferreira


No dia 28 de janeiro de 2016 comemora-se o Centenário do nascimento de Vergílio Ferreira. As comemorações oficiais decorrem em Gouveia, cuja Biblioteca Municipal detém o nome do escritor. Incluem o lançamento da reedição das obras do autor (pela editora Quetzal), a reposição de um busto na praça de São Pedro (no centro da cidade de Gouveia), a inauguração de uma exposição e a realização de um colóquio.
No dia 29, às11 horas, o Ministro da Cultura, João Soares, estará na cerimónia de reposição do busto de Vergílio Ferreira, na praça de São Pedro, seguindo-se, no Museu Municipal de Arte Moderna Abel Manta, a inauguração da exposição “Vergílio Ferreira: Os Caminhos da Escrita ou O Fascínio da Arte”, que ficará patente ao público até 26 de março.
O auditório da Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira, recebe no sábado, às15h00, o colóquio “Vergílio Ferreira: Evocação, Evocações”, com a presença de diversas personalidades, como Fernanda Irene Fonseca, Francisco José Viegas, Liberto Cruz, Eduardo Pereira, José Gameiro e Alípio de Melo. O colóquio pretende evocar um dos mais marcantes escritores de Língua Portuguesa, mas também passar para o público aspetos menos conhecidos ou pouco abordados sobre o intelectual, o amigo e o professor. Da obra do escritor destacam-se livros como Manhã Submersa (1954), Aparição (1959), Para Sempre (1983), Rápida, a Sombra (1974), entre outros.


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Portugal e Cuba reforçam relações culturais e académicas

Reitor da Universidade de Havana aceita convite do Camões, I.P. para visitar Portugal
O relacionamento cultural entre Portugal e Cuba está a registar um salto qualitativo na sequência da assinatura, em dezembro de 2015, de um Protocolo de Cooperação entre o Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e a Universidade de Havana para a criação de um leitorado de Língua Portuguesa, um processo que está já em fase de implementação. O Reitor da Universidade de Havana, Gustavo Cobreiro Suárez, aceitou entretanto o convite endereçado pelo Camões, I.P. para visitar Portugal.
A deslocação do Embaixador de Portugal em Cuba, Luís Faro Ramos, à Universidade de Havana, no dia 19 de janeiro de 2016, constituiu mais um passo no reforço das relações entre os dois países. O Reitor daquela instituição de ensino superior mostrou interesse em estabelecer ações de cooperação com as Universidades de Lisboa, Coimbra, Porto e Évora. Este encontro serviu para estabelecer as bases que poderão levar à criação de núcleos de investigação para doutoramentos, pós-doutoramentos, de intercâmbio de professores e do leitorado de Português.



Língua portuguesa passa a integrar ensino público do Luxemburgo

A língua portuguesa vai ser um dos idiomas ensinados na Escola Internacional de Differdange, um estabelecimento de ensino público cuja criação foi aprovada pelo Parlamento luxemburguês no dia 19 de janeiro de 2016. Esta é a primeira vez que o português integra o programa do ensino público no Luxemburgo.
A escola primária e secundária, que deverá abrir em setembro no sul do Grão-Ducado, vai ter duas secções linguísticas, uma francófona e outra anglófona, podendo os alunos optar por uma segunda língua desde o primeiro ano de escolaridade, entre francês, alemão, inglês e português.
A Escola Internacional de Differdange surge em resposta ao crescente número de alunos estrangeiros no Luxemburgo, a maioria portugueses.
De acordo com o projeto de criação da escola, "é da responsabilidade do Estado [luxemburguês] propor um sistema educativo público em que cada aluno tenha hipótese de sucesso, independentemente da língua falada em casa", num "esforço para integrar os alunos estrangeiros".
- See more at: http://www.instituto-camoes.pt/lingua-e-cultura/lingua-portuguesa-integra-ensino-publico-do-luxemburgo#sthash.3KfZIvyX.dpuf


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Musical "Eusébio" no palco dos coliseus

Atores como Sofia Escobar, Cláudia Semedo, Diogo Amaral e João Ricardo integram o elenco da peça "Eusébio - um hino ao futebol"
O espetáculo, um musical, tem texto de Ana Rangel e direção musical de Artur Guimarães. Sobe aos palcos dos coliseus de Lisboa e Porto de 6 a 17 de abril e de 12 a 15 de maio, respetivamente. A encenação é de Matilde Trocado.
O projeto foi apresentado esta segunda-feira pelo presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes na presença da mulher e das filhas de Eusébio, falecido no dia 5 de janeiro de 2014.
Por motivo de doença, Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, não esteve presente neste evento, tendo sido representado pelo vice-presidente Alcino António. "O Benfica deve-lhe muita inspiração e talento. Mas o Eusébio também era um artista e uma referência do país. O Benfica nunca o fez refém do clube".


Ainda o aniversário do IPC...


O escritor José Luís Peixoto, aquando da sua visita a Caracas com motivo do XXX aniversário do Instituto Português de Cultura (IPC), durante a qual cumpriu com um amplo programa de atividades, deixou no Livro de Visitantes um texto que queremos partilhar com os nossos leitores.
Diz assim:
“Comovido, nestas páginas, despeço-me  deste lugar onde tenho sido feliz e desta gente que, agora, sei que posso chamar amigos. Que estas palavras transportem também a minha gratidão e certeza que, deste lado, podem sempre contar com a minha estima e, na medida das minhas possibilidades, dos meus préstimos.  Ainda aqui e agora a pensar no dia em que nos reencontraremos.

José Luís Peixoto

Caracas, 4 Dez 2015”

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

HORA DOS PORTUGUESES VENEZUELA (

Ainda o aniversário do IPC...
21 JAN, 2016 | Episódio 58

Com motivo do XXX Aniversário do IPC, a RTP, no seu programa Hora dos Portugueses cobriu o evento realizado na livraria El Buscón de Caracas. A nota pode ler-se no Facebook do programa e para escutar a peça áudio-visual basta clicar o enlace que aparece no final desta nota...
A Fundação Instituto Português de Cultura é uma organização não-governamental, cujo objetivo fundamental é a difusão da Cultura Portuguesa na Venezuela, na medida em que é um valor que afirma a identidade nacional dos portugueses num mundo globalizado. O Instituto Português de Cultura (IPC), fundação sem fins de lucro, cuja certidão de nascimento data de 30 de Novembro de 1985, não é mais do que a necessidade jurídica de dar continuidade aos trabalhos da Comissão Fernando Pessoa.

Os atos do 30.º aniversário do Instituto Português de Cultura. A livraria “El Buscón” foi um dos sítios de encontro que contou com vários representantes das diversas associações, academias e sociedades da comunidade portuguesa.
João da Costa, presidente do IPC falou sobre as atividades do instituto que contou com o convidado especial, o romancista, poeta e dramaturgo José Luís Peixoto.

Prémio Jacinto do Prado Coelho é entregue hoje a Seabra Pereira e Cabral Martins

O Prémio de Ensaio Jacinto do Prado Coelho é entregue hoje aos investigadores José Carlos Seabra Pereira e Fernando Cabral Martins, distinguidos ex-aequo pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários, que atribui o galardão.

José Carlos Seabra Pereira foi distinguido pela obra "Aquilino, a escrita vital", e Fernando Cabral Martins, por "Introdução ao estudo de Fernando Pessoa".
Seabra Pereira afirma que Aquilino Ribeiro (1885-1963) é um "autor invulgar e excelente realizador", "desde cedo alvo de uma fortuna crítica que importa hoje rever", defende o ensaísta na obra premiada, editada pela Babel.
Professor associado da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Seabra Pereira dirige o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura. Licenciado em Filologia Românica, é doutorado pelas universidades de Poitiers, em França e Coimbra.
A obra "Introdução ao estudo de Fernando Pessoa", de Cabral Martins, foi editada pela Assírio & Alvim, que, na sinopse divulgada, atestou: "Esta introdução a Fernando Pessoa percorre toda a história da escrita e as essenciais linhas temáticas da sua obra".


Palácio da Bolsa do Porto recebeu 290 mil visitantes em 2015

A grande maioria dos visitantes do Palácio da Bolsa, um dos monumentos mais procurados da cidade, são estrangeiros. O Palácio da Bolsa, sede da Associação Comercial do Porto, anunciou esta terça-feira ter recebido cerca de 290 mil visitantes em 2015, estabelecendo um novo recorde de procura turística, que se traduz num aumento de 14% face a 2014. A grande maioria dos visitantes do Palácio da Bolsa, um dos monumentos mais procurados da cidade, são estrangeiros, com destaque para os provenientes de França, Espanha, Alemanha, Brasil e Estados Unidos da América. "Ao longo de 2015, houve 288.705 turistas a participar em visitas guiadas ao Palácio da Bolsa, vislumbrando a magnificência dos seus corredores e dos seus espaços -- com principal destaque para o Pátio das Nações, cujo restauro dos 20 brasões da cúpula foi em fevereiro, e para o áureo Salão Árabe", refere a instituição, em comunicado.

Lusitânia, a terra que os romanos demoraram 200 anos a ganhar

O Museu Nacional de Arqueologia mostra a partir de hoje uma exposição que reúne estátuas, utensílios e marcas da província que ia do Douro ao Algarve e se estendia até Espanha.
É preciso recuar a antes de Cristo para situar o nascimento da Lusitânia romana, a província que une parte do território que é hoje Portugal e parte Espanha. Mais precisamente: abaixo do Douro e até ao Algarve, parte da Extremadura espanhola e uma pequena parte da Andaluzia. A época do nascimento de Augusta Emerita, Mérida, fundada do zero , como Brasília, compara José María Álvarez Martínez, diretor do Museu Nacional de Arte Romana da cidade espanhola e comissário da exposição. Foi lá que a exposição Lusitânia Romana se viu primeiro, entre março e . Hoje é inaugurada no Museu Nacional de Arqueologia (MNA).
Fronteiras à parte, 20 séculos depois, o museu espanhol e o museu português reuniram 210 peças (81 de Portugal e 129 de Espanha), entre elas vários tesouros nacionais, das guerras pela conquista do território ao legado que este povo deixou em localidades tão distintas como Bobadela, em Oliveira do Hospital, a Quinta das Longas, em Évora ou Almendrejo, perto de Badajoz. O abastecimento das populações faz-se por via marítima, do Mediterrâneo até ao porto de Olissipo, (Lisboa) e também pelo Tejo. "A margem está marcada por um caminho de sirga que servia para os animais puxarem barcaças", explica Carlos Fabião, professor da Faculdade de Letras.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

João de Melo vence Prémio Literário Vergílio Ferreira 2016

O escritor açoriano João de Melo foi  escolhido como o 20.º vencedor do galardão atribuído pela Universidade de Évora (UÉ), revelou à agência Lusa fonte da academia alentejana
 O vencedor da 20.ª edição do galardão foi escolhido, ao final da manhã de hoje, durante uma reunião do júri do prémio, presidido por António Sáez Delgado e que, este ano, integra Elisa Esteves, Gustavo Rubim, Carlos Reis e a escritora Lídia Jorge.
 Instituído pela Universidade de Évora (UÉ) em 1997, o Prémio Vergílio Ferreira destina-se a galardoar, anualmente, o conjunto da obra literária de um autor de língua portuguesa relevante no âmbito da narrativa e/ou ensaio.
 A academia revelou que, na edição deste ano do galardão, a que teve "mais candidatos" desde sempre, "oriundos de três países", o júri escolheu o vencedor "por maioria".
 "O júri congratulou-se pela alta qualidade das candidaturas apresentadas" e deliberou atribuir o prémio a João de Melo por considerar que a obra ficcional deste escritor é "reveladora de um imaginário transfigurador poderoso".
 O que faz da obra de João de Melo, segundo o júri, "uma das mais relevantes da sua geração".
 A cerimónia de entrega do 20.º Prémio Vergílio Ferreira está agendada para 01 de março, data em que se assinala a morte do escritor que dá nome ao galardão.
 Este ano, realçou a UÉ, a sessão está integrada "num grande congresso internacional" comemorativo do centenário do nascimento do escritor, intitulado "Vergílio Ferreira: Entre o Silêncio e a Palavra Total".
 O Prémio Vergílio Ferreira foi atribuído, pela primeira vez, a Maria Velho da Costa, seguindo-se Maria Judite de Carvalho, Mia Couto, Almeida Faria, Eduardo Lourenço, Óscar Lopes, Vítor Manuel de Aguiar e Silva e Agustina Bessa-Luís.






domingo, 24 de janeiro de 2016

O Antunes pega-se?

Qual é a marca dele em quem escreve? Seis escritores falam de uma influência, apontam a excelência e a fragilidade, sublinham a presença indelével da biografia na obra de um escritor que ousou revelar-se “furiosamente” e aprendeu a esconder-se num jogo que parece o de um eterno aperfeiçoamento.
“Cuidado que o Antunes pega-se”, ou talvez se apanhe, “como uma gripe”. Não estamos num romance, mas quase parece possível escutar nestas metáforas a voz que atravessa, em muitos múltiplos, os livros de António Lobo Antunes. Mais biográfica no início, mais elaborada e esquiva nos livros mais recentes, e apontando para muitas outras possíveis. Como no último, Da Natureza dos Deuses, quando através da fala de uma mulher se interpõem outras hipóteses de ser, de falar: “… felizmente nasci em Lisboa apesar de correr o risco de não ser esta, se calhar sou mais bem tratada do que esta, se calhar casei-me, se calhar toquei violino ou morri de amor por um veterinário, qual será o meu nome, gosto de Irene, não gosto de Noémia, faz-me lembrar uma colega da escola que se chamava Lucinda mas tinha tudo de Noémia, até a cova do queixo e as sardas dos braços, apontem-me uma Noémia gorda que não encontro nenhuma, a da capelista um pau de virar tripas, uma das dactilógrafas do escritório enchumaços no peito, que ela encaixa melhor convencida de que não topamos, prefiro Irene ao meu nome, ou Cândida, ou Ester, que deixam sabores diferentes na boca, o meu insonso como a palavra dióspiro ou a palavra lâmpada, pronunciamo-las para dentro, a imaginar que sim, e deitadas cá para fora monótonas, o que as fantasias enganam…” 

sábado, 23 de janeiro de 2016

Morreu a escultora Graça Costa Cabral

A escultora Graça Costa Cabral, de 76 anos, faleceu na quinta-feira à noite, anunciou esta sexta-feira a direção do Centro de Arte e Comunicação Visual (Ar.Co), em Lisboa, da qual foi fundadora.
De acordo com a entidade, que anunciou a morte da escultura na rede social facebook, o corpo da artista plástica vai estar em câmara ardente a partir das 19 horas, na Igreja Nossa Senhora da Encarnação, ao Chiado, em Lisboa.
No sábado, será celebrada uma missa na mesma igreja, pelas 12 horas.
Nascida em São Miguel, nos Açores, em 1939, Graça Costa Cabral tirou o curso de Escultura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, e vivia e trabalhava em Lisboa.
Foi, com o marido, Manuel Costa Cabral, fundadora do Ar.Co., em 1973, e ao longo de mais de 40 anos acompanhou o centro de artes como professora, responsável por setores de formação, e presidente da direção.
Associação cultural sem fins lucrativos, com estatuto de utilidade pública, o Ar.Co dedica-se desde a fundação à experimentação, formação e divulgação das artes e disciplinas da comunicação visual, desde o desenho, fotografia, pintura, escultura, joalharia e cerâmica. In Jornal de Notícias.

Morreu o arquiteto Nuno Teotónio Pereira

O arquiteto Nuno Teotónio Pereira, de 93 anos, uma das mais destacadas figuras do urbanismo e da habitação em Portugal, morreu, esta quarta-feira, em Lisboa.
Nascido em Lisboa, em 1922, formou-se em arquitetura pela Escola de Belas Artes de Lisboa, foi autor e coautor de dezenas de projetos e também um histórico defensor de direitos cívicos e políticos durante o regime salazarista.
Em abril de 2015, Nuno Teotónio Pereira foi distinguido com o Prémio Universidade de Lisboa 2015, pelo exercício "brilhante" na área da arquitetura e como "figura ética".
São da sua autoria - ou em coautoria com arquitetos como Nuno Portas, Bartolomeu Costa Cabral e João Braula Reis - o Bloco das Águas Livres, classificado em 2012 como monumento de interesse público, a Torre de Habitação Social nos Olivais Norte, o chamado Edifício "Franjinhas" e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, projetos realizados em Lisboa, distinguidos com Prémios Valmor.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Cinema: Cartas da Guerra a concurso em Berlim 2016

Adaptação de António Lobo Antunes por Ivo Ferreira faz parte da selecção oficial do certame alemão, a par dos novos filmes de André Téchiné, Gianfranco Rosi ou Thomas Vinterberg.
Quatro anos depois de Tabu, de Miguel Gomes, uma nova longa-metragem portuguesa é escalada para a competição oficial do Festival de Berlim. Cartas da Guerra, a adaptação ao cinema por Ivo Ferreira da correspondência de António Lobo Antunes durante a Guerra Colonial publicada como D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto, terá a sua estreia mundial a concurso na edição 2016 do certame alemão, naquele que promete ser um dos anos mais fortes da Berlinale em tempos recentes.
Cartas da Guerra junta-se no concurso de Berlim aos novos filmes dos franceses Mia Hansen-Løve e André Téchiné, do filipino Lav Diaz (vencedor de Locarno 2014), do italiano Gianfranco Rosi (vencedor de Veneza 2013) e do dinamarquês Thomas Vinterberg (A Caça). Ao todo, nove filmes foram anunciados esta segunda-feira para o programa competitivo do festival, que terá este ano lugar entre 11 e 21 de Fevereiro, a par dos títulos de Denis Côté, Jeff Nichols e Alex Gibney  já anunciados há algumas semanas.
Cartas da Guerra é a terceira longa-metragem de ficção de Ivo Fe


quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Museu da Língua Portuguesa estará reconstruído dentro de dois anos

Depois do incêndio de Dezembro, já se planeia a nova vida do museu, que terá o seu espólio também actualizado.
O Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, parcialmente destruído por um incêndio em Dezembro passado, estará reconstruído dentro de dois anos, anunciou nesta terça-feira o secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, que adiantou que o espólio será actualizado.
"Imaginamos que em dois anos consigamos reabrir o museu", disse o secretário-geral da Fundação responsável pelo Museu da Língua Portuguesa, Hugo Barreto, em Lisboa, numa audiência conjunta pelas comissões parlamentares de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto.
O responsável adiantou que a Estação da Luz – em cujo edifício se localiza o museu –, utilizada diariamente por quase 500 mil pessoas, reabriu uma semana após o incêndio, que ocorreu no dia 21 de Dezembro e que destruiu parte da instituição.

Governo quer alargar entradas gratuitas nos museus e criar Arquivo Sonoro Nacional

Estas são algumas das medidas em destaque nas Grandes Opções do Plano do Governo para a Cultura.
O alargamento da gratuitidade nas entradas em museus e monumentos, o lançamento do Arquivo Sonoro Nacional e o aumento dos acervos de arte contemporânea estão entre as Grandes Opções do Plano (GOP) do Governo para a cultura.
De acordo com uma versão das GOP enviada ao Conselho Económico e Social, a que a Lusa teve acesso, o Governo, na área da Cultura, pretende estender a gratuitidade dos museus e monumentos para jovens até aos 30 anos, durante os fins-de-semana e feriados.
Também está previsto, nas GOP, lançar as bases e desenvolver o projecto de criação de um Arquivo Sonoro Nacional e consolidar e aumentar os acervos de arte contemporânea, "no quadro do modelo existente, com uma melhor articulação dos intervenientes".
Na área do património, destacam-se a criação e operacionalização de fundos interministeriais que permitam articular o acesso a investimentos de natureza cultural e patrimonial, extensivos à iniciativa privada, segundo o documento.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Cinema: Um ano de Antónios

Das cartas de guerra de António Lobo Antunes, por Ivo Ferreira, à apropriação alegremente obscena, por João Pedro Rodrigues, da figura de Santo António de Lisboa: entre os dois Antónios, os portugueses que veremos em 2016.
Por estes dias já se sabe que o alferes António Lobo Antunes foi destacado para o Festival de Berlim: Cartas da Guerra, de Ivo Ferreira, é o filme português que se apresenta na competição de longas-metragens. “Adapta”D’este viver aqui neste papel descripto: Cartas da Guerra. Isto é, filma a partir das cartas que um jovem médico – 28 anos – com sonhos de escritor mas atirado para a guerra colonial em Angola, para onde fora destacado após a conclusão do curso de Medicina (comissão de serviço 1971-1973), escreveu à mulher grávida que deixara em Lisboa.
O “adapta” vem entre aspas porque, visto daqui, Cartas da Guerra mostra-se como projecto singular sobre o qual talvez não seja adequado facilitar com as bengalas do costume: parte do livro que as filhas do escritor, Maria José Lobo Antunes e Joana Lobo Antunes, editaram (em 2007) com as cartas que o pai escrevera à mãe de ambas, constitui o passado biográfico de quem não só ainda pertence ao mundo dos vivos como se agigantou na esfera pública (personagem interpretada pelo actor Miguel Nunes) e é material de que um realizador se quis apropriar. 

Quatro longas portuguesas em Berlim 2016


Depois de Ivo Ferreira no concurso, Forum anuncia novos filmes de Salomé Lamas e Hugo Vieira da Silva, bem como Rio Corgo, vencedor do DocLisboa.
É algo de inédito: com o anúncio esta manhã da programação da secção paralela Forum, o Festival de Berlim 2016 – a decorrer de 11 a 21 de Fevereiro– irá receber nada menos de quatro longas-metragens portuguesas. Juntando-se a Cartas da Guerra de Ivo M. Ferreira no concurso oficial, o Forum – secção não competitiva – receberá as estreias mundiais de Eldorado XXI, de Salomé Lamas, e Posto Avançado do Progresso, de Hugo Vieira da Silva, bem como a estreia europeia de Rio Corgo, de Maya Kosa e Sérgio da Costa, consagrado melhor filme nacional no DocLisboa 2015. Uma presença tanto mais notável quanto o programa 2016 do Forum inclui os novos trabalhos do chinês Wang Bing (Ta'ang), do israelita Avi Mograbi (Between Fences), do franco-americano Eugène Green (Le fils de Joseph, com Mathieu Amalric) ou do francês Guillaume Nicloux (Dans les bois, com Gérard Depardieu).

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Morreu um “príncipe da República”...


Foi assim como o poeta Manuel Alegre, se referiu ao recente falecimento de Almeida Santos (1926/2016), que além de destacado político anti-fascista e reputado legislador, se dedicou também à escrita política (foi ministro de vários governos e repetidas vezes deputado) e ficcional.
Entre outros reconhecimentos, obteve, em 2003, o Prémio Norte-Sul, atribuído pelo Conselho da Europa.
...
Almeida Santos foi um “príncipe da República” e podia ter sido seu Presidente, disse esta terça-feira Manuel Alegre ao chegar à Basílica da Estrela, em Lisboa, onde aquele histórico socialista está em câmara ardente. 

Alegre recordou o ex-presidente honorário do PS,
falecido na noite de segunda-feira, como “um homem de diálogo e unidade”, que foi “o principal legislador” no pós-25 de Abril e que “podia ter sido Presidente (da República), mas nunca quis”. 

Classificou também Almeida Santos como “um grande português, da nossa democracia, da nossa República” e ainda “um homem com um grande coração, que sabia unir, um príncipe da República”. 


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Ainda é correcto falar de Descobrimentos?

Novo Dicionário da Expansão Portuguesa foi lançado esta semana pelo Círculo dos Leitores. Dirigido pelo historiador Francisco Contente Domingues, não faz do politicamente correcto uma prioridade.
Há  dois "Descobrimentos" no artigo assinado por Francisco Contente Domingues no novo Dicionário da Expansão Portuguesa (1415-1600), a obra editada pelo Círculo dos Leitores e lançada esta quarta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Depois da leitura da entrada dividida em dois pontos, quase podemos dizer que há os bons e os maus Descobrimentos. O historiador optou por analisar o termo no singular, “descobrimento”, para nos obrigar a olhar para o acto em si, porque a “tónica devida” é precisamente a do seu carácter relativo.
“O ‘descobrimento’ faz sentido em função do património geográfico da realidade cultural e civilizacional de onde emana o ‘descobridor’.” O próprio conceito é “civilizacionalmente autocentrado” — escreve Contente Domigues, que dirige o dicionário — e começou a ser posto em causa sistematicamente depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
Mas, sim, podemos dizer que os nativos norte-americanos foram descobertos, contrariando os mentores das anti-comemorações das viagens de Pedro Álvares Cabral ou Cristóvão Colombo, que criticam a bondade das iniciativas ibéricas e argumentam que a América já tinha populações que lá estavam há mais de dez mil anos. “Descobertos, sim: os Descobrimentos deram início a um processo de conhecimento global — de mundialização — que não teria retrocesso e se iria pelo contrário aprofundando com o correr dos séculos.”
Devemos ou não falar de Descobrimentos portugueses? — é um das primeira perguntas que fazemos ao historiador Francisco Contente Domingues, especialista em história marítima, durante a entrevista no seu gabinete na Faculdade de Letras de Lisboa. “Absolutamente que sim, deve-se falar de Descobrimentos.”

domingo, 17 de janeiro de 2016

Pessoa, O Poeta Infindável? Encontrados textos inéditos na África do Sul



Oitenta anos depois da morte do poeta português Fernando Pessoa, foi encontrada na África do Sul, por um grupo de investigadores, uma caixa com textos inéditos.

A caixa contém um conjunto de cerca de dois mil documentos, que apareceram no passado mês de julho numa garagem da casa onde Pessoa viveu na infância. No entanto, segundo o jornal brasileiro Folha de S. Paulo, a descoberta foi tratada com a máxima descrição e só agora foi divulgada.

Os textos encontram-se atualmente no Centro de Estudos da Literatura Portuguesa da Universidade de Brown, nos Estados Unidos da América, e estima-se que o inventário da caixa encontrada na África do Sul esteja concluído dentro de cerca de um ano.


José Luís Peixoto participa no ciclo de conversas sobre a adaptação teatral de Claraboia

O escritor José Luís Peixoto, autor de Em teu ventre, participa no próximo sábado (09) no ciclo de conversas sobre a adaptação do romance Claraboia, de José Saramago, pelo grupo teatral A Barraca. O encontro terá lugar cerca das 18h45, depois da sessão das 16h. Aqueles que assistiram à obra noutros dias, mediante a apresentação do bilhete, também poderão acompanhar a conversa.
A adaptação estreou no dia 10 de Dezembro, aniversário dos 17 anos da entrega do Prémio Nobel a José Saramago. Com dezassete atores em palco e um cenário que descreve com riqueza de pormenores os seis apartamentos de um edifício, o coletivo dirigido por Maria do Céu Guerra apresenta a sua leitura do romance escrito por José Saramago no começo dos anos 50 – e publicado em 2011, após a sua morte.
José Luís Peixoto é autor de vários livros de ficção e poesia e recebeu, em 2001, o Prémio José Saramago/Círculo de Leitores. Já participaram neste ciclo de conversas n’A Barraca a jornalista e tradutora  Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago, e o realizador Miguel Gonçalves Mendes, autor do documentário José e Pilar.  Os encontros aos sábados realizar-se-ão durante o tempo em que a obra estiver em cartaz.


“O Ano da Morte de Ricardo Reis” em edição de bolso na Finlândia

Depois da edição cartonada e em formato electrónico, acaba de dar à estampa a edição de bolso de O Ano da Morte de Ricardo Reis com a chancela da editora finlândesa Tammi.
A tradução esteve a cargo de Sanna Pernu. A capa, um arranjo gráfico de Markko Taina, tem uma imagem de Lisboa e pode reconhecer-se a fachada da Casa dos Bicos, sede da Fundação José Saramago.
A obra: “Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro de 1935. Fica até Setembro de 1936. Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da heteronímia de Fernando Pessoa. E um movimento inverso, logo a começar: “Aqui onde o mar se acaba e a terra principia”; o virar ao contrário o verso de Camões: “Onde a terra acaba e o mar começa”. Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o movimento épico da partida. Mais uma vez, a história na escrita de Saramago. E as relações entre a vida e a morte. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro. Ricardo Reis visita-o ao cemitério. Um tempo complexo. O fascismo consolida-se em Portugal.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)