quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Isabel II entrega prémio a Siza Vieira , "arquitecto com sensibilidade de poeta"



O arquitecto britânico Norman Foster descreve Álvaro Siza Vieira como um "arquitecto com uma sensibilidade de poeta", saudando a entrega da Medalha de Ouro Real entregue esta quarta-feira pela Rainha Isabel II ao português pelo reconhecimento do seu trabalho.

Siza Vieira recebeu das mãos da monarca britânica, numa recepção privada no Palácio de Buckingham, a medalha de ouro, que será de novo entregue esta noite numa cerimónia formal na ordem dos arquitectos britânicos, o Royal Institute of British Architects (Riba).

Mais no Jornal de Notícias.

Encontrada em Mafra uma das maiores concentrações de fornos neolíticos da Europa

Os arqueólogos que estudaram o solo onde foi construída a auto-estrada A21, Ericeira/Mafra/Malveira, afirmam ter encontrado uma das maiores concentrações de fornos de argila (110) existentes na Europa, do período do neolítico.

"Este conjunto de 110 fornos do neolítico corresponde a uma das maiores concentrações de fornos existentes em território europeu", afirmou hoje Ana Catarina Sousa, arqueóloga responsável pelas escavações.


Mais no Público.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Morreu Lagoa Henrique: escultor de Pessoa no café



O escultor Lagoa Henriques morreu sábado, aos 85 anos, estando o funeral marcado para as 10h30 de hoje no Cemitério da Ajuda, em Lisboa.
Lagoa Henriques terá sempre por cartão-de-visita a estátua de Pessoa à mesa do café A Brasileira, referência de uma obra marcada pela transfiguração do clássico pela apropriação do quotidiano. ‘União do Lis e Lena’, em Leiria, e a estátua de Alves Redol, em Vila Franca de Xira são outras obras do seu legado em arte pública.


Mais no Correio da Manhã.

Londres: Siza Vieira fala para casa cheia

O arquitecto português Álvaro Siza Vieira (nascido em 1933) discursa esta quinta-feira em Londres perante casa cheia, em Portland Place, na sede do Real Instituto dos Arquitectos Britânicos (RIBA), onde recebe, em nome da rainha Isabel II, a Medalha de Ouro Real de 2009.

Mais no Correio da Manhã.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Guitolão: instrumento idealizado por Carlos Paredes


Chama-se guitolão e é um novo instrumento português. No fundo é uma guitarra portuguesa barítono, idealizada por Carlos Paredes e construída por Gilberto Grácio, cuja história começa ainda nos anos 70. No entanto o guitolão só foi apresentado em 2005, num concerto em Marvão, e o primeiro disco foi editado apenas no final de 2008. Intitula-se apenas Guitolão e é da autoria do guitarrista António Eustáquio, que interpreta dez composições de sua autoria.

Mais no Diário de Notícias.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Córdoba, Argentina: III Foro Saramaguiano


De 22 a 24 de Outubro decorrerá em Córdoba, Argentina, o III Foro Saramaguiano de Teoria e Críticas Literárias, evento organizado pela Cátedra Livre José Saramago da Universidade Católica de Córdoba.

A Cátedra já abriu a convocatória para a apresentação de trabalhos (ponências e propostas de oficinas) correspondente ao Foro. O eixo temático da discussão gira à volta de José Saramago e o Romance Europeu Contemporâneo: memória, vozes e escritas.

Recordamos que esta mesma faculdade foi a que publicou há poucos meses o Diccionario de Persojanes Saramaguianos, em edição não venal.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Obra completa de Lopes-Graça agora em livro

Todas as obras do compositor Fernando Lopes-Graça (1906-94) encontram-se referenciadas num livro colocado agora no mercado, iniciado ainda pelo músico e concluído por Romeu Pinto da Silva, e que inclui fotos inéditas.

Romeu Pinto da Silva, que de 1976 a 1992 dirigiu os serviços de música da Secretaria de Estado da Cultura, esclarece no preâmbulo que o compositor sempre teve a "preocupação" em "arrumar definitivamente todas as suas obras".

Mais no Jornal de Notícias.

Cardeais jantam no Centro Português!


O Centro Português de Caracas apresentou ontem a peça mais famosa de Júlio Dantas: A Ceia dos Cardeais (1902).
O espectáculo, que tinha feito parte dos 500 Anos da Cidade do Funchal e cujas receitas reverteram para as obras de solidariedade desenvolvidas pela CRIAMAR, contou com as actuações de João Carlos Abreu, Virgílio Pereira e José António Barros, acumulando este último o cargo de encenador do grupo.

Júlio Dantas, além de político durante a primeira metade do século XX, teve um papel destacado na elaboração de um acordo ortográfico com o Brasil e foi um autor de sucesso durante esse mesmo período. Alguns modernistas, entre eles Fernando Pessoa e Almada Negreiros consideraram Dantas um “retrógrado” e ficou célebre na literatura de então o Manifesto Anti-Dantas, um panfleto satírico da autoria do pintor.

Mais informação sobre Júlio Dantas.
Manifesto Anti-Dantas.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Postal homenageia Gago Coutinho


A Sociedade de Geografia de Lisboa realiza na próxima terça-feira uma sessão comemorativa dos 140 anos do nascimento do almirante Gago Coutinho e dos 50 da sua morte.


Na sessão solene, o Presidente da República, Cavaco Silva, procederá à obliteração de um inteiro postal com um carimbo comemorativo dos CTT. O referido postal é editado pelos Correios de Portugal, que assim se associam à efeméride.

Lobo Antunes: Daqui a dois anos acaba tudo e não publico mais


Era para ser uma entrevista adiada cinco meses porque deveria ter acontecido aquando do lançamento de O Arquipélago da Insónia, mas acabou por ser uma conversa adiantada sete meses porque quase só se falou de Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra no Mar?. Quase... Porque, à primeira resposta, António Lobo Antunes em vez de comentar prosaicamente a data próxima dos 30 anos de vida literária foi por outro caminho. Ainda começou a responder "Faz 30 anos que…" mas partiu por uma direcção inesperado: "... Mais dois anos e calo-me. Calo-me de vez, já chega. Só queria deixar a obra redonda."

Mais no Diário de Notícias.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sábado 14: O Convento de Manoel de Oliveira


Aproxima-se do fim o Ciclo Manoel de Oliveira, apresentado pelo Instituto Português de Cultura, no Centro Português de Caracas. Agora é a vez de O Convento (2002), cuja sinopse apresentamos a seguir.

O professor Michael Padovic é um investigador norte-americano que está a trabalhar numa tese que se destina a provar que Shakespeare tinha ascendência espanhola e não britânica. Mas faltam-lhe alguns documentos essenciais, os quais julga estarem nos arquivos do antiquíssimo Convento da Arrábida, em Portugal.
Por esta razão, ele e a sua mulher, Hélène, viajam de Paris até à Arrábida, onde se instalam. O seu anfitrião é o guardião do convento, uma estranha personagem que dá pelo nome de Baltar.
Há qualquer coisa de misterioso em Hélène que cativa Baltar. Para distraír a atenção do marido dela, sugere-lhe que ele contrate como sua assistente, Piedade, a nova arquivista do convento.
Hélène descobre que o marido a rejeita em favor do trabalho e o facto de Piedade ser jovem e bonita aumenta ainda mais a tensão, servindo ao mesmo tempo os propósitos diabólicos de Baltar e a subtil manipulação de Hélène.
A situação torna-se extremamente bizarra e culmina de forma inesperada.

Mais em Madragoa Filmes.

Manoel de Oliveira ist der älteste aktive Regisseur

Bei Jubilaren, die den 100. Geburtstag erreichen, pflegt man ihre Leistungen in der ersten Lebenshälfte zu würdigen, vielleicht noch auf ihr rüstiges Rentnerdasein zu verweisen. Bei dem portugiesischen Regisseur Manoel de Oliveira, der heute 100 wird, wäre dies grundfalsch. Von seinen 50 Filmen hat er 40 nach dem Eintritt ins Rentenalter gedreht, allmählich berühmt wurde er in seinen Achtzigern - und heute hat er keine Zeit zum Feiern, weil er seit zwei Wochen sein neustes Werk inszeniert, das wohl auf der Berlinale laufen wird.

Mais em Die Welt.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Nuno Bragança: Um aristocrata no submundo


Há 40 anos, um livro, "A noite e o riso", sobressaltava as mentalidades lusitanas, ao constituir uma ode à errância e ao submundo, raras vezes aflorados por cá. O seu autor: Nuno Bragança, que completaria esta quinta-feira 80 anos.
Militante da vida, envolveu-se em demasiadas paixões para que se dedicasse em pleno a uma só. Mas a curta obra que deixou foi suficientemente impressiva para que dela ficasse uma marca que ainda perdura, pese embora a escassa divulgação dos seus livros.

Opositor do Estado Novo, esteve exilado na Argélia e depois em vários países da Europa.

Mais no Jornal de Notícias.

Mais no Instituto Camões.

Carmen Miranda: 100 anos da Pequena Notável...

Um pouco por todo o mundo, foi ontem recordado o centenário do nascimento de Carmen Miranda, artista que nasceu em Portugal e se tornou célebre como expoente da música brasileira, entre 1930 e 1955, primeiro no Brasil e depois nos Estados Unidos.

Marcos de Canaveses, onde nasceu, já pediu à TAP que um avião leve o nome dela.

No Brasil, A Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro, lançou a iniciativa de uma Semana Carmen Miranda.

Mais informação no Estado de São Paulo (áudio).
Mais em O Globo.

Saramago com novo livro a meio vê obras na 'sua' Casa dos Bicos

Durante a hora de almoço dos operários que fazem obras de recuperação no n.º 10 da Rua dos Bacalhoeiros, José Saramago foi ver o andamento das obras da futura sede da fundação com o seu nome. Satisfez assim a curiosidade despertada dois dias antes pelos responsáveis da reabilitação da Casa dos Bicos, que lhe tinham mostrado numa maqueta como ficará o antigo edifício à beira de Alfama.

Mais no Diário de Notícias.

Correntes d'Escritas: 10 anos

O número impressiona: 120 escritores, de diversas geografias, encontram-se a partir de hoje na terra onde nasceu Eça de Queirós para partilhar a palavra e falar do secreto ofício da escrita. O evento faz agora dez anos e é a prova, afinal, de que as palavras não são pátria de ninguém.

Dez anos depois do primeiro e tímido encontro, com pouco mais de vinte autores, o Correntes d'Escritas regressa com imagem nova e uma multidão de criadores que pela palavra se entendem. O ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, profere a conferência de abertura, hoje, às 15.30. Depois, até sábado, os escritores presentes na Póvoa de Varzim vão tentar provar que as "palavras não são pátria de ninguém".

Mais no Diário de Notícias.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Manoel de Oliveira na imprensa venezuelana




Com motivo da homenagem da Bernilane 2009 a Manoel de Oliveira, os jornais El Nacional e El Universal publicaram no dia de ontem notícias desenvolvidas sobre o director português. A nota de El Nacional apareceu no corpo Escenas e a de El Universal, em Espectáculos.

Ver mais em El Universal.

Oliveira leva ‘Loira’ a Berlim

É um Manoel de Oliveira genuíno aquele que ontem recebeu aplausos no final dos 64 minutos de ‘Singularidades de uma Rapariga Loira’, adaptação de um conto de Eça de Queiroz. No filme do seu centenário que levou ao Festival de Berlim nota-se o regresso de actores familiares, o tema do domínio feminino, a composição perfeita dos planos e a exemplar direcção de actores.

Mais no Correio da Manhã.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

NotiFax de 31 de Janeiro de 2009

Filme no arranque de ‘ano Agustina’


Agustina já viu o filme ‘A Corte do Norte e gostou. Aliás, segundo João Botelho, realizador que adaptou o romance homónimo de Agustina Bessa-Luís, da apreciação positiva dependia a ‘autorização’: "Se ela não gostasse não constava no genérico ‘adaptação de...’; teria de vir algo como ‘a partir da obra’ ou ‘inspirado em’", brinca o cineasta.

A Corte do Norte terá a antestreia a 14 de Março. No Teatro Nacional São Carlos, em Lisboa, um projector digital (a película foi rodada neste formato) mostrará a muitos ilustres – entre os quais deve estar o Chefe de Estado – uma Ana Moreira multiplicada por cinco mulheres, de distintas gerações, que perseguem o mesmo objectivo: desvendar a morte de Emília de Sousa.

Mais no Correio da Manhã.

Variety debruça-se sobre cinema português

Apesar de um eterno "complexo de superiorida-de/inferioridade" vigente do nosso país e da "nostalgia do império perdido", a revista ‘Variety’ sublinha o novo dinamismo da produção portuguesa.

A revista dedica dez páginas à produção portuguesa e destaca o papel de relevo das estações de TV na criação de novos fundos e "estratégias inovadoras de produção", bem como o empenho da nova geração de realizadores, produtores e exibidores, que usam os festivais de cinema para tornar o nosso cinema mais competitivo.

Mais no Correio da Manhã.

Margarida Gil: Estão a rodar filmes pornográficos

Em entrevista, a realizadora afirma: Através do FICA (Fundo para o Investimento no Cinema e Audiovisual) estão a ser rodados filmes sem realizador, que são verdadeiramente pornográficos (‘Second Life’), falados maioritariamente em inglês (‘Arte de Roubar’), financiados com dinheiros públicos. O cinema está degradado a um ponto inqualificável.


Mais no Correio da Manhã.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Mário Cláudio: Tenho um fascínio pelo número três


Mário Cláudio recebeu nesta semana o Prémio Namora de 2008 por ‘Camilo Broca’, romance biográfico sobre o autor de ‘Amor de Perdição’, género literário pelo qual é tão conhecido como reconhecido.

Corriam os anos 80 quando leitores e críticos se renderam à trilogia que dedicou a Amadeo de Souza-Cardoso, Rosa Ramalho e Guilhermina Suggia. Em comum, mais confirmações do que surpresas.

Mais no Correio da Manhã.

Escola de Sagres: houve ou não houve?

Brasileiro, neto de madeirense afirma que nunca existiu.

A escola de navegação de Sagres jamais existiu, sendo apenas um mito construído pelo fervor nacionalista da historiografia portuguesa do período romântico do século XIX. A tese é do historiador brasileiro Fábio Pestana Ramos, no seu mais recente livro "Por Mares Nunca Dante Navegados", resultado de dois anos de investigação em diversas bibliotecas de Portugal e do Brasil.

Mais no Público.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Portuguesa Sofia Escobar nomeada para Prémio Laurence Olivier



A actriz portuguesa Sofia Escobar é candidata ao Prémio Laurence Olivier para a Melhor Actriz de Teatro Musical pelo seu papel de Maria no "West Side Story", em cena no Sadler's Wells, em Londres.

Competem com a actriz para o mesmo galardão, cujo vencedor será conhecido a 8 de Março, em Londres, as actrizes Kathryn Evans, Ruthie Henshall, Elena Roger, e Emma Williams.


Mais no Público.

Terromoto de 1755: Falam os ossos das vítimas

Desde 2004, uma equipa de investigadores portugueses vem revelando os segredos do primeiro ossuário conhecido das vítimas do terramoto de Lisboa. Já ganharam prémios internacionais, mas continuam a trabalhar de graça e sem apoios

Durante alguns minutos de terror, o assassino golpeou-lhe repetidamente o crânio, sem a matar, para que falasse. Procurava ouro e prata, ou alimentos escondidos, igualmente valiosos nos dias de anarquia que se seguiram àquela manhã de 1 de Novembro de 1755, dia de Todos os Santos.

Mais no Diário de Notícias.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Cônsul heróico vai chegar ao cinema


Chamam-lhe o Schindler português, pois salvou 30 mil judeus desobedecendo à regra salazarista de não serem passados Vistos a refugiados, e ficou no terceiro lugar do concurso da RTP que elegeu ‘Os Grandes Portugueses’. Foi a "surpresa total" para José Mazeda, produtor de O Cônsul de Bordéus, filme que Francisco Manso e João Correa vão rodar a partir de 28 de Abril.
Recordamos que Luiz Francisco Rebello escreveu Desobediência, texto de teatro dedicado a este diplomata, que foi castigado pelo salazarismo pela sua solidariedade com o drama dos judeus nos anos 40 do século passado.

"Não imaginava que tanta gente conhecesse Aristides de Sousa Mendes", espanta-se o produtor, que ainda não escolheu o actor que interpretará o herói que resgatou tantas vidas ao Holocausto. "Será uma biografia ficcionada, com romance", diz Mazeda, já em negociações para levar a película além-fronteiras.

Mais no Correio da Manhã.

Siza Vieira vai mesmo reformar a “baixa” de Madrid…

O arquitecto Álvaro Siza Vieira, responsável pelo projecto para a reforma do eixo Prado-Recoletos, em Madrid, garantiu hoje estarem "ultrapassadas" as divergências com a principal contestatária da reabilitação, a baronesa Thyssen.

Mais no Público.


Mais em El País.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Domingo à tarde na homenagem a Fernando Namora...



O escritor Fernando Namora foi evocado no Cinema São Jorge, em Lisboa, por ocasião do 20.º aniversário da sua morte, numa sessão promovida pela Associação Portuguesa de Escritores (APE) e pela secção regional do sul da Ordem dos Médicos.
Na ocasião, será exibido o filme "Domingo à tarde", realizado por António de Macedo, em 1965, a partir do romance homónimo do autor.

Mais no Jornal de Notícias.

Mais no Correio da Manhã.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Tertúlia Musical recorda Carmen Miranda

Numa iniciativa do Instituto Português de Cultura, decorreu na passada sexta-feira, 30de Janeiro, a I Tertúlia Musical 2009, durante a qual foi recordada a figura da artista Carmen Miranda, no bar A Nau, do Centro Português.
Na Tertúlia, recebendo aplausos frequentes de um público que atestou o local, participaram alguns dos valores musicais da Comunidade. José Carlos Rebelo interpretou temas portugueses e brasileiros coreados pela assistência. O Trio Acordionistas, integrado por António Granja, Avelino Tavares e Avelino Seténio, mostrou o seu virtuosismo em várias composições populares portuguesas, e o Grupo Tradições, dirigido por Vaz Fernandes, avançou pela noite fora com cantigas populares e expressões do folclore português. Entre actuação e actuação foram apresentados videoclips de algumas das canções mais emblemáticas de Carmen Miranda.
Como se recordará, Maria do Carmo Miranda da Cunha, que seria durante um quarto de século – entre 1930 e 1955 – talvez a representante mais universal da música brasileira, nasceu em Portugal, em Marco de Canaveses, a 9 de Fevereiro de 1909, e emigrou para terras de Veracruz ainda muito criança. Curiosamente, se o fado – tal como o tango – nasceu em berço pobre e teve de lutar para entrar nos salões mais exclusivos da sociedade então, igual sucedeu com o samba, e quem o fez subir na escala social foi precisamente Carmen Miranda.
Quando partiu para os Estados Unidos em 1939, já era famosa na sua terra de adopção. Vários eram os discos editados e os filmes onde aparecia como primeira figura. Foi, contudo, a partir de essa data que a sua imagem ganhou dimensão universal. Foi, pelo menos para alguns, a Madona da sua época. O único inglês que dominava quando chegou aos Estados Unidos foi o que aprendeu durante a viagem de barco, que evidentemente não passava de duas ou três palavras mal alinhavadas e pior pronunciadas. Isso marcou-lhe a carreira artística e apesar de que posteriormente aprenderia a falar correctamente o inglês, as exigências de Hollywood sempre a obrigaram a maltratar a língua de Shakespeare para que fosse mais “auténtica” no seu papel de latino-americana.
Não há dúvida de que a sua alegria conquistou os Estados Unidos, onde, em plena II Guerra Mundial, chegou a ser um instrumento político ao serviço do governo desse país, numa tentativa de aproximar a América Latina da Europa. Além de fama, ganhou muito dinheiro e convivia e fazia negócios com os “grandes” da época – John Wayne, Clark Gable, Gary Grant, Bob Hope, Ava Gardner e Humphrey Bogart, entre outros. Esse foi o lado bom da aventura na “fábrica de sonhos”. O lado mau foi que ela, que nunca tinha sido bebedora nem fumadora, começou, por força do ritmo de vida que lhe era imposto, a saltar das anfetaminas para os barbitúricos. Uns para a manter acordada, outros para que pudesse dormir. Caiu na depressão e foi tratada com choques eléctricos, que a deixavam aturdida e lhe arruinavam a saúde precocemente.
O coração não aguentou muito e a 5 de Agosto de 1995 teve um desmaio durante o show de Jimmy Durante. Não e nada, terá dito. Era. No dia seguinte morreu.
Durante o seu funeral no Rio de Janeiro viu-se que não tinha perdido o seu público brasileiro: meio milhão de pessoas acompanharam-na na marcha final. Hoje tem um museu nessa cidade e outro na sua terra natal, a qual nunca voltou. Ela que nunca teve grandes homenagens, recebeu tributo musical de Ney Matogrosso e de Caetano Veloso. Actualmente, a Cinemateca Portuguesa está a exibir alguns dos seus filmes – valem pelo que têm de históricos – para a recordar e apresentar às novas gerações.
Em síntese, resume assim a vida trágica de quem parecia ser a dona da alegria.

Mário Cláudio recebe o Prémio Literário Fernando Namora



Mário Cláudio recebe esta segunda-feira, às 18 horas, no auditório do Casino Estoril, das mãos do presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o Prémio Literário Fernando Namora, que lhe foi atribuído pelo romance "Camilo Broca".

A cerimónia ganha especial relevo pelo facto de se inserir na evocação dos 20 anos da morte de Namora, ocorrida a 31 de Janeiro de 1989. Mário Cláudio, pseudónimo de Rui Manuel Pinto Barbot Costa, é um escritor multifacetado, criador de uma vasta obra que abarca a ficção, a poesia, a dramaturgia e o ensaio. Nesta entrevista, feita ao telefone, o autor de "Boa noite, senhor Soares" considera que os prémios "são um elemento importante no universo dos afectos", garante que não irá guiar-se pelo Acordo Ortográfico, diz que a actual situação política é um sinal de que "o país está muito doente" e anuncia que já está a escrever um novo livro, "baseado numa grande figura do século XX".

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