segunda-feira, 31 de agosto de 2015

"O pátio das cantigas" já foi visto por 392 mil pessoas

A comédia "O pátio das cantigas", de Leonel Vieira, já foi vista por 392 mil pessoas desde a sua estreia, tornando-se assim no filme português mais visto, de acordo com a distribuidora do filme.

Num comunicado hoje divulgado, a NOS anuncia que "nunca até hoje um filme português tinha levado tantos espetadores ao cinema como fez 'o Pátio das Cantigas'. Em apenas 24 dias de exibição, o número de espectadores atingiu os 392 mil, ultrapassando 'O Crime do Padre Amaro' (380 671 que liderava o 'ranking')".
Num comunicado hoje divulgado, a NOS anuncia que "nunca até hoje um filme português tinha levado tantos espetadores ao cinema como fez 'o Pátio das Cantigas'. Em apenas 24 dias de exibição, o número de espectadores atingiu os 392 mil, ultrapassando 'O Crime do Padre Amaro' (380 671 que liderava o 'ranking')".
Os dados estatísticos semanais do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) mais recentes datam de quarta-feira passada e referiam que o "Pátio das Cantigas" já tinha sido visto por 356 315 espectadores. Na próxima quarta-feira serão divulgados novos dados, que poderão confirmar o anúncio hoje feito pela distribuidora.
Os números do ICA, a 19 de agosto, mantinham "O Crime do Padre Amaro", de Carlos Coelho da Silva, estreado em 2005, como o filme português mais visto desde a existência de estatísticas regulares, com um número total de 380 671 espectadores.
"O pátio das cantigas" é a primeira de três homenagens de Leonel Vieira aos clássicos do cinema português e baseia-se no filme realizado em 1942 por Francisco Ribeiro (Ribeirinho), na altura com Vasco Santana e António Silva nos principais papéis.


Morreu o escritor Bento da Cruz

O escritor Bento da Cruz, de 90 anos, autor, entre outras obras, de "O lobo guerrilheiro", morreu, esta quarta-feira, no Porto, onde residia desde 1971, disse à Lusa fonte editorial.

Segundo a mesma fonte, as cerimónias fúnebres iniciam-se esta quarta-feira, pelas 17 horas, na Igreja das Antas, no Porto, de onde a urna sairá na quinta-feira, pelas 11 horas, para a aldeia natal do escritor, Peirezes, no concelho de Montalegre, onde, a partir das 13 horas, será velada até às 17 horas, quando se realiza o funeral.
Bento da Cruz, licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra, era referenciado como o "príncipe do planalto barrosão".
No início da carreira, em 1955, estabeleceu consultório médico em Souselas, na Beira Litoral, e, a partir de 1956, na aldeia de Pisões, no concelho transmontano de Montalegre, onde providenciou assistência médica gratuita a muitos conterrâneos.


domingo, 30 de agosto de 2015

Homenagem a Manoel de Oliveira num festival de cinema


    Mostra Cinemagosto decorre em Berlim, na Alemanha. 
    Por Lusa "Um Amor Português" é o tema da segunda edição da mostra Cinemagosto, que decorre entre quinta-feira e domingo, em Berlim, com a apresentação de dez filmes portugueses, legendados em inglês, e uma homenagem a Manoel de Oliveira. A temática do festival, que inclui filmes de ficção, animação e documentário, surgiu porque "existe em Portugal um conjunto de títulos interessantes relativos ao amor trágico e desesperado", explica a programadora da mostra, Anabela Moutinho, acrescentando que "o amor trágico tem a ver com a cultura portuguesa". O programa da mostra de cinema oferece, na sessão de abertura, "Esquece Tudo o Que te Disse", de António Ferreira, e conta com a presença do diretor de fotografia, Marcus Lenz. O realizador Manoel de Oliveira, falecido em Abril, será homenageado com um filme "consensual e que cai muito bem na temática [do festival], já que Oliveira tem tantos filmes assombrosos sobre 'amores frustrados'", elogia a programadora de cinema, entrevistada em Berlim. Anabela Moutinho refere que o festival é uma forma de divulgar o cinema português no estrangeiro, para que o público alemão possa "tomar contacto com algumas obras que têm inegável qualidade artística" e com a identidade dos portugueses, já que "há um lado de meditação e de contemplação que faz parte da identidade portuguesa que está completamente transposta naquilo que é o cinema nacional", explica. Além dos espectadores berlinenses, Anabela Moutinho espera que, para os portugueses a viver em Berlim, "ir a uma sala de cinema e ver um filme falado em português, seja uma maneira muito eficaz de combater as saudades da terra".  In Correio da Manhã.

Cinema: Trilogia contra a troika Filme de Miguel Gomes tem três partes e já foi premiado lá fora.


    O galo de Resende intimado a ir ao tribunal por cantar demasiado alto. Alguém que pega fogo à serra para se vingar de um amor não correspondido. Uma juíza que se emociona durante um julgamento e não consegue conter as lágrimas. Estas e outras histórias fizeram notícia no Correio da Manhã e inspiraram ao cineasta Miguel Gomes o filme ‘As Mil e Uma Noites’. A obra, já cumulada com prémios internacionais, divide-se em três partes e a primeira – ‘O Inquieto’ – chega hoje às nossas salas. Faz o retrato de um País entregue a uma austeridade tão severa quanto destruidora e oscila com fluidez entre o tom documental e o registo onírico. 
    O realizador, que partiu para o projeto com a intenção de fazer "um filme com o máximo de três horas e meia", deparou-se com mais fita do que aquela que conseguiria cortar. Já no fim do processo montou três filmes diferentes com a preocupação de que cada um pudesse ser visto, e fruído, individualmente. A motivação para rodar ‘As Mil e Uma Noites’, essa, veio-lhe da vontade de não deixar passar em branco um período tão intenso e doloroso da história de Portugal. "Até estava a pensar rodar um filme no México, mas tendo as condições que tive para filmar achei que não podia deixar de retratar o que está a acontecer. Aos 43 anos não tenho memória de nada semelhante." Os jornalistas Maria José Oliveira, Rita Ferreira e João de Almeida Dias recolheram as notícias, a atriz Crista Alfaiate é a Xerazade de serviço da obra. In Correio da Manhã.

sábado, 29 de agosto de 2015

Uruguai tem aulas de português em 83 escolas públicas de ensino básico

Nas cidades de fronteira com o Brasil, como Rivera e Artigas, a língua ficou: o Dialeto Português do Uruguai é falado por 15% da população.
Há aulas de português em 83 escolas públicas de ensino básico do Uruguai, sendo a maioria delas em zonas de fronteira com o Brasil, segundo números oficiais.
Em apenas seis das escolas que disponibilizam o ensino do idioma, ele é considerado uma língua estrangeira, como nas escolas chamadas Brasil, Portugal e Rui Barbosa, na capital, Montevideu, afirmou à Lusa a coordenadora de Português no Departamento de Segundas Línguas do Conselho de Educação Inicial e Primária, Cinthia Nuñez.
Nas outras 77 escolas, em zonas fronteiriças com o Brasil, o português é a segunda língua local, como resultado da presença brasileira histórica na região. Há 190 anos, em agosto de 1925, o Uruguai proclamou-se independente do Brasil, do qual fazia parte politicamente.


Mais de 25 mil professores contratados estão sem emprego –



       Mais de 25 mil professores contratados ficaram para já sem emprego no ensino público. 

       Pouco mais de 3 mil conseguiram colocação, segundo os números do governo. 

       A FENPROF diz que quase 8 mil professores foram ilegalmente excluídos do concurso, por não terem realizado a prova de avaliação.

Cinemateca recorda presença de Maria Barroso no cinema


   Instituição recupera três filmes em que a ex-primeira dama participou.

   Maria Barroso, atriz e ativista política que morreu em julho, aos 90 anos, é homenageada em setembro na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, com a exibição de três filmes em que participou.


   Na próxima semana, a 3 de setembro, a Cinemateca recupera "Mudar de vida", filme de 1966 de Paulo Rocha, no qual Maria Barroso se estreou no cinema. No dia 5, passa "Amor de Perdição" (1978) e, no dia 8, "Benilde ou a virgem mãe" (1974), ambos de Manoel de Oliveira.  In Correio da Manhã. 

Cinema: Miguel Gomes: "São as mil e uma noites da crise"

Chega quinta-feira aos cinemas o primeiro volume de As Mil e Uma Noites, de Miguel Gomes. O realizador conta como quis mostrar o tempo "virtualmente infinito" que vai durar a atual crise.
Como reage ao fenómeno de aclamação internacional que As Mil e Uma Noites tem vindo a ter?
Essa aclamação não é unânime. O Le Figaro escreveu que o filme era um disparate pegado... São coisas que não podemos controlar, de todo, mas é sempre melhor quando existe alguma adesão do que quando não há nada, ou apenas animosidade. O filme seria exatamente o mesmo, se estivesse a suscitar outro tipo de reações. Por exemplo, em relação ao Tabu, não sinto nenhuma particular diferença na receção de um e de outro. O que muda muito, para mim, é a questão de como as pessoas o vão ver, porque ver As Mil e Uma Noites é quase uma aventura. E penso que a divisão em três volumes altera completamente a perceção do filme. Nas antestreias que já se fizeram em Portugal, houve quem começasse por ver o último, depois o primeiro... enfim, isso levou-me à ideia de que o filme pode ser uma experiência absolutamente diferente para cada pessoa, pelo simples facto de se trocar a ordem, ou até por coisas menos radicais.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Cada português gastou menos de 150 euros em cultura em 2012



Portugal é o quinto país da União Europeia a criar a Conta Satélite da Cultura, ontem apresentada, que analisa um perído marcado pela crise, o triénio 2010-2012
Os portugueses gastaram cerca de 150 euros em cultura em 2012, um corte de quase 40 euros em relação a 2010. Este é apenas um dos dados que desde ontem é possível contabilizar através da Conta Satélite da Cultura, apresentado pela primeira vez. Depois de Finlândia, Polónia, Espanha e República Checa, Portugal foi o quinto país a criar este instrumento estatístico o que, para já, invalida grandes comparações.

Mas já é possível fazer pelo menos uma, referida no boletim estatístico do Instituto Nacional de Estatística (INE): Portugal é o país em que o valor acrescentado bruto (VAB) da cultura menos pesa no VAB nacional, um dado que oscila entre os 3,2% na Finlândia e os 1,7% em Portugal. De qualquer modo, saliente-se que, em média, no período em análise, as atividades culturais contribuíram em média com 2,7 mil milhões de euros gerados por cerca de 66 mil entidades - valor que ultrapassou a indústria alimentar e o sector agrícola (ambos com cerca de 2,3 mil milhões). À Lusa, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier classificou este montante como "extremamente relevante para reconhecer que a cultura, mais do que um ato de despesa, é um ato de geração de riqueza".

Depois da Arquitetura e do Design, governo lança o Ano do Cinema e Audiovisual

Depois da Arquitetura e do Design, a secretaria de Estado da Cultura lança na segunda-feira o Ano Português do Cinema e Audiovisual para promover o setor a nível internacional
O Ano Português do Cinema e Audiovisual decorrerá até setembro de 2016 em Portugal e no estrangeiro com "workshops, conferências e seminários em várias áreas", à semelhança do que a tutela já fez em torno da Arquitetura (2013/2014) e do Design (2014/2015), que termina em setembro.
A primeira iniciativa do novo ano temático é a atribuição, na segunda-feira, de uma medalha de mérito cultural a Haden Guest, diretor da Cinemateca da Universidade de Harvard, pelo "contributo para a visibilidade do cinema português nos Estados Unidos".
A tutela anunciou também esta sexta-feira que em 2016 haverá em Pequim uma Festa do Cinema Português, à semelhança do ciclo dedicado ao cinema chinês, em setembro em Lisboa.


quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Festival de cinema português em Berlim vai homenagear Manoel de Oliveira

O festival "Cinemagosto" vai decorrer entre quinta-feira e domingo na cidade alemã e conta com filmes de ficção, animação e documentários. "Esquece Tudo o Que te Disse" marca a sessão de abertura.
"Um Amor Português" é o tema da segunda edição da mostra Cinemagosto, que decorre entre quinta-feira e domingo, em Berlim, com a apresentação de dez filmes portugueses, legendados em inglês, e uma homenagem a Manoel de Oliveira.
A temática do festival, que inclui filmes de ficção, animação e documentário, surgiu porque "existe em Portugal um conjunto de títulos interessantes relativos ao amor trágico e desesperado", explica a programadora da mostra, Anabela Moutinho, acrescentando que "o amor trágico tem a ver com a cultura portuguesa".
O programa da mostra de cinema oferece, na sessão de abertura, "Esquece Tudo o Que te Disse", de António Ferreira, e conta com a presença do diretor de fotografia, Marcus Lenz.


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Portugal: este país de maravilhas existe

Entre o Verão de 2013 e o Verão de 2014, Miguel Gomes percorreu os quatro cantos de Portugal filmando um país em crise sob os efeitos da austeridade. Portugal, país das maravilhas. Como na canção de Leonard Cohen (“We are ugly, but we have the music”), somos feios mas temos as histórias. Nos dois últimos filmes de Quentin Tarantino, o cinema tem-se vingado da História, contando a sua própria versão dos acontecimentos. Os nazis mataram milhões de judeus? Em Sacanas Sem Lei, Hitler é morto numa sala de cinema em chamas. A escravatura é o pecado original da América? Um negro reduz uma plantação de escravos a um banho de sangue em Django Libertado.
Entre o Verão de 2013 e o Verão de 2014, Miguel Gomes percorreu os quatro cantos de Portugal filmando um país em crise sob os efeitos da austeridade. Pode dizer-se que inventou um método: um pequeno grupo de jornalistas contratados pelo realizador vasculhou acontecimentos e fait-divers em toda a imprensa, fazendo, de seguida, a sua própria investigação e reportagem; Gomes e a equipa do filme iam para o terreno quase imediatamente, reagindo aos acontecimentos reais a quente, e com ficção. O resultado é surreal, e nem sempre isso se deve à ficção. O que é mais surreal, animais que falam, um assassino que é aclamado pela população como um herói, homens que têm pássaros em casa e os ensinam a cantar, a troika em cima de camelos

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Daniel Morais… foi há oito anos.


Um dia como hoje perdíamos a companhia física de Daniel Morais, um dos fundadores do Instituto Português de Cultura e uma enorme força dinamizadora deste projecto, que se vai aproximando dos 30 anos de vida.

Repetimos, uma vez mais, uma verdade de “Monsieur La Palisse”: Daniel Morais não poderia ter avançado sozinho para a fundação do IPC, mas sem o seu contributo o IPC não teria nascido ou pelos menos não teria nascido nesse momento.


A ele devemos imenso. E por essa razão, além de muitas outras, o recordamos hoje com saudade e com a promessa de não deixar cair este projecto e de continuar a avançar, de não desmaiar nunca, na divulgação da Cultura Portuguesa, da qual tanto nos orgulhamos, neste país de acolhimento, entre portugueses e não portugueses.

domingo, 23 de agosto de 2015

Nas antas do Alentejo já se falou alemão

Georg e Vera Leisner começaram a vir a Portugal no final dos anos 1920 para estudar monumentos funerários com mais de seis mil anos. Em 1943 a guerra obrigou-os a ficar. O seu arquivo começa a estar acessível online e com ele ainda se pode aprender muito.

Chegaram em 1943 para uma das suas estadias habituais, mas a guerra impediu-os de regressar a Munique. Foi já em Portugal que souberam que a sua casa – e com ela um arquivo com milhares de notas, fotografias, desenhos e cadernos de campo – tinha sido destruída num bombardeamento. Os alemães Georg e Vera Leisner estavam acostumados a viagens e a cenários de conflito e, por isso, é provável que tenham encarado o imprevisto como uma oportunidade de aprofundar os seus estudos sobre o megalitismo na Península Ibérica. Não eram um casal comum.
Ela, que nascera em Nova Iorque, vivera na China e tinha formação em artes plásticas e música, dedicava-se à arqueologia numa altura em que eram muito poucas as mulheres a fazê-lo; ele decidira tirar um curso universitário aos 60 anos, depois de pôr fim a uma carreira militar que lhe deu o posto de major e o levou a combater em vários cenários na Europa e na Ásia. 

sábado, 22 de agosto de 2015

Hélia Correia: "Não estou interessada em famas, em dinheiro ou em admirações"

Ouvir-se falar de Hélia Correia não é coisa para todos os dias, mesmo que a revisitação da obra seja uma situação sempre obrigatória.
No entanto, a atribuição do mais recente Prémio Camões à escritora fez que o seu nome fosse tema de conversa entre portugueses como, talvez, desde a publicação do romance Lillias Fraser não se verificava. Nada que seduza a escritora, conforme se depreende desta entrevista, um raro momento para se perceber o seu universo. Em que não evita comentar questões políticas nem evocar factos históricos ou atuais com todas as palavras que merecem. Até confessa que votar tornou-se um ritual vazio devido ao incumprimento da vontade das pessoas pelos governos. Ou sobre a questão da importância da cultura clássica grega, tema que a empolga mais do que muitos outros. Salvo se a concorrência do assunto for a dos seus amigos gatos. Aí, a conversa não para. Como foi o caso de uma gata que teve em casa durante três meses e que proibiu praticamente a escritora de sair à rua: "Era uma gatinha selvagem que engravidou e a única pessoa com que se relacionava era comigo. ..


O lugar onde até a cela de Camilo conta a história da fotografia

A Cadeia da Relação, no Porto, já teve presos ilustres e moradores clandestinos. Hoje, acolhe exposições e mais de meio milhão de imagens. E a 19 de agosto, Dia Mundial da Fotografia, tem programação especial
Podemos falar de Camilo, hoje que é Dia Mundial da Fotografia? Naturalmente, se o assunto for o Centro Português de Fotografia (CPF), que desde 1997 funciona na Cadeia da Relação, no Porto. No espaço que outrora foi a cela de Camilo Castelo Branco há agora câmaras que fizeram a história da fotografia - como L"Escopete, uma raridade, patenteada em 1888, dois anos antes da morte do escritor.
As enxovias, que amontoaram os presos do Porto durante quase dois séculos, são hoje amplas e luminosas salas, que por estes dias acolhem quatro exposições; do Prémio Estação Imagem Viana 2015, com o contributo de fotojornalistas, a mostras de estudantes de mestrado em fotografia, como o Projeto 15.
No CPF, o visitante é, a cada passo, surpreendido por imagens com história. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Paredes de Coura surpreende público


Na voz dos festivaleiros, o campismo, o rio e o recinto "estão como nunca se viu". Entre conversas e entrevistas, percebe-se que o ambiente é o ingrediente principal deste festival. Um ambiente elevado ao mais alto nível pela boa onda dos festivaleiros mais alternativos dos festivais de verão, pela paisagem natural idílica, pela convivência pura e pela organização. Ana Rita Pintão é de Vila Nova de Gaia e tem 20 anos. Vem de mochila às costas, ainda a descobrir os recantos do festival. Vem arrastada por um grupo de amigos – Joana Gomes, que marca presença pela terceira vez, Fábio Pina e Manuel Cardoso, que repetem Paredes de Coura. Na mochila, Ana Rita traz a ansiedade e a curiosidade de viver, pela primeira vez, aquele que é considerado por muitos o melhor festival do País e, certamente, o maior do Norte. "Os meus amigos não me falam de outra coisa durante todo o ano. Começamos cedo a programar e, como quase todos já vieram, criaram-me grandes expectativas. Há muita gente, uma confusão, mas bem organizada." 


"Ceuta deu o sinal de que seria no mar que Portugal encontraria alternativas"

Foi a 21 de agosto de 1415 que as hostes portuguesas entraram em Ceuta. Fácil de conquistar, foi dificil de manter. João Gouveia Monteiro, autor do livro 1415 - A Conquista de Ceuta, relembra epopeia.
Ceuta foi conquistada em 1415 e essa data é tida como o ponto de partida do Império Português. Mas parece muito mais prolongamento da Reconquista na Península Ibérica do que primórdio da expansão marítima. Concorda?
Acho que foi as duas coisas. Enquanto operação que visava legitimar uma nova dinastia e saciar a avidez de glória da jovem nobreza, assim como alargar o território para um espaço controlado pelos muçulmanos (sem com isso afrontar Castela), é irresistível encará-la como um prolongamento da Reconquista. 



Inquisição de Évora: Esqueletos no armário da História portuguesa

 
 Uma equipa de antropólogos da Universidade de Coimbra que realizava escavações de rotina na lixeira da prisão da Inquisição de Évora fez uma descoberta inesperada mas não surpreendente: os restos mortais de 28 «hereges» que, 400 anos depois, contam agora a sua história.
   «Mostra um período negro da história de Portugal a que não devemos virar a cara», explicou a A BOLA o antropólogo, Bruno Magalhães, que liderou a investigação.
   As ossadas, em que se incluem doze esqueletos completos, pertencem a homens e mulheres condenados por heresia pelo Santo Ofício e que morreram na prisão entre 1568 e 1634, o que permite precisar o crime: protestantismo, islamismo, bigamia e homossexualidade e, sobretudo, judaísmo.
   «Pesquisei todos os processos da Inquisição para este período. 90 por cento dos julgados foram condenados por judaísmo. No total, encontrámos 89 processos de pessoas que faleceram na prisão», disse o antropólogo.
   O achado de Bruno Magalhães, Teresa Fernandes e Ana Santos, publicado na edição de setembro da Journal of Anthropological Archaeology e que já atraiu a atenção da revista Forbes pretende recuperar a memória das vítimas da Inquisição de Évora, a mais ativa do país e, depois de Coimbra, a segunda mais mortífera.
   Se, por um lado, os ossos não revelaram marcas de tortura física, os antropólogos identificaram um castigo que, à época, era eterno.
   «Um enterro foi negado aos mortos. Foram descartados para a lixeira [...] num castigo para lhes destruir a alma», pode ler-se nas conclusões do estudo.
   «Não encontrámos vestígios de sevícias nos ossos. O que não quer dizer que estas pessoas não tenham sido torturadas», ressalvou Bruno Magalhães, explicando o trabalho de arqueologia levado a cabo pela Crivarque.

Fundada em 1536, a Inquisição portuguesa queimou vivas 1175 pessoas em 689 autos-de-fé, uma mortandade que não devastou apenas a comunidade judaica, mas que também afugentou a inteligência e empobreceu a nação.

Com pouco mais de 10% da lixeira escavada, os terrenos da antiga prisão prometem desenterrar um capítulo quase desconhecido da história da Inquisição em Portugal. In A Bola.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Edição da Vintage do romance “Claraboia”

 
 Após o lançamento das edições cartonada, brochada e em
 ebook, dá, agora, à estampa com a chancela da Vintage a edição de bolso de Claraboia. A tradução é, como habitualmente, de Margaret Jull Costa, e a capa, tal como em diversas edições traduzidas deste romance, é uma obra de Anne-Laure Maison, “Tableau d’intimités” (2006).


   Na capa e contra-capa, são várias as citações de jornais ingleses sobre o “livro perdido e encontrado no tempo”:
— “A masterly creation… Shows humanity at its most anxious, in its most vulnerable and most true”Independent
— “The rescue of this novel from oblivion is something to be grateful for. The translator, Margaret Jull Costa, as ever, does a splendid job” Times Literary Supplement
— “A worthy addition to the rich body os Saramago’s work”, Scotsman
— “A deeply affecting novel, the work of an already adroit writer”, Evening Standard


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Celebrações dos 50 anos de carreira de António Chainho


O músico António Chainho, no âmbito das celebrações dos seus 50 anos de carreira, atua na próxima quarta-feira, no X Guitar Art Summer fest, que abre no sábado, na República de Montenegro. 

O festival de guitarra decorre até dia 20, na cidade montenegrina de Herceg Novi e, do cartaz, além do guitarrista português, fazem parte os músicos Vlatko Stefanovski, Miroslav Tadic e Amira Medunjanin, entre outros. 

Com António Chaínho sobem ao palco de Herceg Novi, a cantora Filipa Pais, o baixista Ciro Bertini e o viola Tiago Oliveira, músicos que participaram na gravação do seu álbum celebrativo, "Cumplicidades". In Correio da Manhã.

Brasil: 7ª Edição do FESTLIP com espetáculos de Portugal e Encontro Cultural de Língua Portuguesa

Com o apoio do Camões, I.P., de 26 de agosto a 06 de setembro de 2015, o “FESTLIP – Festival Internacional de Teatro da Língua Portuguesa” apresenta uma variada programação em dez espaços na cidade do Rio de Janeiro, com destaque para a mostra teatral, que este ano conta com oito peças de Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Moçambique e Portugal, todas inéditas na cidade.

Com entrada livre, os espetáculos circulam por tradicionais espaços culturais e teatros. Para celebrar os 450 anos da cidade do Rio de Janeiro, o FESTLIP promove pela primeira vez um concurso de poesia, aberto a todos os países de língua portuguesa, com temática sobre a cidade.
Durante o festival, os melhores textos serão apresentados numa exposição audiovisual, interpretados por atores cariocas.
A 31 de agosto de 2015, realiza-se ainda o “III Encontro Cultural de Língua Portuguesa”, no Oi Futuro Flamengo, dando início à primeira oficina “A falar que a gente se entende”.
O encontro será o ponto de partida para a coprodução inédita entre o FESTLIP e o Teatro da Garagem, companhia portuguesa criada há 26 anos, a ser apresentada na edição de 2016 do festival. No projeto, o diretor Carlos Pessoa, que assinará o texto, seleciona atores de Angola, Moçambique e Cabo Verde, para contracenar com as atrizes Tânia Pires e Maria João.
O FESTLIP é apresentado pelo Governo do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, Oi, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura; tem patrocínio da HOPE Serviços.
Conta com o apoio institucional, entre outros, da Fundação Nacional de Artes – Funarte, Ministério da Cultura, Ministério de Relações Internacionais, Embaixada de Portugal no Brasil, Camões - Instituto da Cooperação e da Língua, I.P. e CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. In Instituto Camões.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Nova edição holandesa de “Ensaio sobre a Cegueira”

   
A editora holandesa Meulenhoff acaba de dar à estampa a nova edição de 
Ensaio sobre a Cegueira, em continuidade com a renovação da linha gráfica iniciada no ano passado. Desde então, e com a coordenação artística do Studio Vruchtvlees, são já cinco os títulos com o novo grafismo.

Ensaio sobre a Cegueira havia sido publicado, pela primeira vez, em 1998 com a tradução de Harrie Lemmens, tendo sido por diversas vezes re-publicado, a última das quais numa edição conjunta comEnsaio sobre a Lucidez.

   O livro: Um homem fica cego, inexplicavelmente, quando se encontra no seu carro no meio do trânsito. A cegueira alastra como «um rastilho de pólvora». Uma cegueira coletiva. Romance contundente. Saramago a ver mais longe. Personagens sem nome. Um mundo com as contradições da espécie humana. Não se situa em nenhum tempo específico. É um tempo que pode ser ontem, hoje ou amanhã. As ideias a virem ao de cima, sempre na escrita de Saramago. A alegoria. O poder da palavra a abrir os olhos, face ao risco de uma situação terminal generalizada. A arte da escrita ao serviço da preocupação cívica.


Um verão português para encantar Locarno

Depois de Cosmos ter enfeitiçado o festival, Locarno acorda para as curtas portuguesas. E aí há uma pequena obra-prima que já venceu em Vila do Conde: Maria do Mar

Depois de ter sido o herói consensual do Curtas de Vila do Conde, João Rosas e o seu Maria do Mar encantam Locarno. Mogwai e as dores de crescimento de um adolescente português perdido ante a beleza feminina já espalham charme pelas salas cheias deste festival à beira lago. O filme está em competição para o Leopardo de Amanhã, o Pardo di Domani, o prémio da melhor curta. Rosas tem uma vontade brusca e sincera de comunicar com o espectador, coisa rara na nova geração.
Esta é a história de um grupo de amigos que se encontra numa casa de praia em pleno verão. Jovens que falam de relações, de um romantismo perdido. Entre eles está um adolescente, o típico irmão mais novo. Os seus olhos seguem os outros, tentam captar um outro estado, mas essa trajetória passa sempre por observar a rapariga nova, aquela que todos falam


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Cinema: A cultura triunfante de Leonel Vieira

   
Está consumado. O quê? O domínio prático e simbólico da telenovela no audiovisual português. Foram 38 anos de crescente agonia conceptual, desde a estreia televisiva de Gabriela, a 16 de maio de 1977, até ao lançamento do filme O Pátio das Cantigas, neste verão de 2015.

Q   ue se passou? O triunfo de uma cultura de formatação das imagens (e dos sons) que encontra, agora, a sua apoteose no filme produzido e dirigido por Leonel Vieira. São três as leis estipuladas por tal cultura, uma narrativa, outra interpretativa, outra figurativa.
   Em primeiro lugar, reduz-se qualquer visão do mundo a uma coleção de figuras e cenas superficiais, "obrigatoriamente" anedóticas, desligadas de qualquer contexto pertinente, seja ele cómico ou dramático, realista ou fantástico. Por JOÃO LOPES


Depois da portuguesa, Tiago Pereira avança para 'A música ibérica a gostar dela própria'

O realizador português Tiago Pereira parte na sexta-feira para Espanha para dar início a um novo projeto com recolhas musicais de tocadores e intérpretes da península, para uma série documental.

Tiago Pereira explicou à agência Lusa que o objetivo é estender a Espanha as práticas de recolha e gravação de música popular e tradicional que faz em Portugal desde 2011, com o projeto A música portuguesa a gostar dela própria (MPAGDP).
Nos próximos 15 dias, o realizador andará em gravações nas regiões espanholas de León, Zamora e Salamanca, a filmar pessoas novas e velhas, músicos e intérpretes amadores e profissionais, para fazer um episódio piloto de uma série documental sobre música ibérica.
"No fundo quero filmar para perceber o que nos une e nos separa. Era importante fazer esta ponte", afirmou o realizador.
A ideia de avançar com A música ibérica a gostar dela própriaacontece depois de Tiago Pereira ter sido contactado pelo músico espanhol José Luis Gutiérrez García, ele próprio autor de recolhas semelhantes em território espanhol.


domingo, 16 de agosto de 2015

Maria João Pires e Coro Gulbenkian na corrida aos óscares da clássica

 
 Gravações de dois concertos de Beethoven e de uma ópera de Richard Strauss valeram, respetivamente, à pianista e ao coro nomeações para prémios da revista inglesa Gramophone

   A pianista portuguesa Maria João Pires é candidata a receber em setembro um Prémio Gramophone na categoria "Concerto" pela gravação dos Concertos n.º 3 e n.º 4, de Beethoven, com a Sinfónica da Rádio Sueca, dirigida por Daniel Harding. 

   Trata-se da sua gravação de estreia para a Onyx Classics, etiqueta para a qual grava desde 2014.

Noutra categoria, a de "Ópera", o Coro Gulbenkian é também candidato à obtenção de um Prémio Gramophone, pois integrou a produção da ópera Elektra, de Richard Strauss, no Festival de Arte Lírica de Aix-en-Provence de 2013, cuja edição em DVD (saída na Bel Air Classiques) se perfila na lista dos seis possíveis vencedores. In Diário de Notícias.


Quando o cante alentejano se junta a uma orquestra clássica


               O grupo de Cantadores do Redondo, com Vitorino e Janita Salomé, faz um concerto amanhã à noite (22.00) no Largo da Sé, em Faro, em companhia da Orquestra Clássica do Sul. Dirige Rui Pinheiro


                Está exultante, Vitorino: "O largo tinha milhares de pessoas e silêncio absoluto!" Fala-nos do concerto que aconteceu no sábado à noite, na sua vila natal do Redondo, primeira paragem do "Clássico EnCante", projeto que junta a Orquestra Clássica do Sul (OCS), com o seu maestro titular, Rui Pinheiro, e os Cantadores do Redondo, com Vitorino, e que amanhã à noite vai ao Largo da Sé, em Faro. In Diário de Notícias.

sábado, 15 de agosto de 2015

Argentina: Perspetivas de Vasco Araújo sobre o “poder” em exibição em Buenos Aires

"Potestad" é o título da mostra de videos do artista português Vasco Araújo que o auditório do Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (MALBA), acolhe, a partir de 27 de agosto de 2015, com o apoio do Camões, I.P. e da Embaixada de Portugal em Buenos Aires. Tratam-se de obras do cineasta, realizadas entre 2001 e 2014, selecionadas por Maria João Machado.

Sob a égide dos denominados “relatos de poder”, uma temática central na obra de Vasco Araújo, os vídeos a apresentar cruzam referências contemporâneas com as grandes narrativas e temáticas da cultura clássica, refletindo sobre questões políticas universais.
O artista português estrutura o seu discurso através de uma forma particular de desconstrução e reconstrução dos códigos sociais, permitindo observar os vínculos do homem com o mundo que o envolve, sob novas perspetivas.
A exibição irá dividir-se em dois programas, com projeções simultâneas no auditório do museu.
Com entrada livre a exibição estará patente até ao dia 06 de setembro de 2015.  In Instituto Camões. 

Cristiana Águas na Áustria


   A cantora portuguesa Cristiana Águas estreia-se no sábado, na Áustria, onde atua em Innsbruck e Viena, dois concertos em que apresenta o seu álbum de estreia, editado em setembro do ano passado. No sábado, Cristiana Águas sobe ao palco da Treibhaus, em Innsbruck, e, na segunda-feira, atua no Teatro Spittelberg, em Viena. O álbum, produzido pelo músico brasileiro Pierre Aderne, é constituído por onze temas, nove deles inéditos, mas nenhum gravado numa melodia tradicional de fado. Reconhecendo que nenhum dos temas é fado tradicional, em declarações à Lusa, a intérprete argumentou: 
   "Não sendo fados tradicionais, eu não diria que alguns dos temas que canto não são fados, cito por exemplo 'Margem', de Pedro Esteves [música e letra], que retrata Lisboa na loucura da agitação, 'Tristes Pássaros', que é quase uma metáfora da vida, assim como 'Ingravidez', de Diogo Vassalo e Lio Minax".
    "O fado não está propriamente nas sonoridades em que cantamos, mas na forma como cantamos e na alma e nos sentimentos que damos ao que cantamos. Além de todos os ritmos que são encontrados neste CD, como fadista que sou, e canto desde sempre fado, cante o que cantar vai ser sempre fado", afirmou.


Biblioteca Joanina gasta fortuna para não deixar os livros morrer


Quem salva as joias da casa dourada da Universidade de Coimbra? Na Biblioteca Joanina (e na casa-forte da Biblioteca Geral) guardam-se obras raríssimas do século XII à atualidade. Esta é uma viagem pelo trabalho de ourives de quem as conserva e restaura e pelas dificuldades que enfrenta para proteger o seu bem mais precioso, o livro.

Envolve morcegos, documentos do século XII, relíquias de valor incalculável, pedaços da história de um país quase milenar e, "escondida" na cave, uma prisão. Podia ser o enredo de um livro do domínio do fantástico, mas é a Biblioteca Joanina. A casa dourada da Universidade de Coimbra, que não é apenas um monumento capaz de seduzir qualquer turista, é uma biblioteca viva, a funcionar, e onde se luta por não deixar os velhos livros morrer.


Montanha, de João Salaviza, estreia em Novembro


Dia 12, pela Midas Filmes, dois meses depois da exibição no Festival de Veneza.
Depois do Festival de Veneza, onde será exibido na Secção Semana da Crítica, a 6 de Setembro, Montanha , de João Salaviza estreia em Portugal a 12 de Novembro, distribuído pela Midas Filmes.
É a primeira longa-metragem do realizador, e chega agora ao circuito dos festivais, onde Salaviza foi premiado por curtas anteriores: Arena e Rafaconquistaram, respectivamente, a Palma de Ouro e o Urso de Ouro em Cannes e Berlim. É a continuação do seu olhar sobre o final da infância e suas impossibilidades.
Montanha (produzido pela Filmes do Tejo II e pela les films de l’après-midi) está também selecionado para o Festival de San Sebastian, onde será apresentado na secção Zabaltegi, uma secção não competitiva onde serão apresentados os últimos filmes de Alexander Sokurov, Francofonia, Laurie Anderson, Heart of a Dog (ambos em competição em Veneza) e Corneliu Porumboiu (The Treasure)


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Mais sobre ANA HATHERLY

«DEVOLVER O CULTO DO ESPIRITUAL À SUA PUREZA ANTERIOR»

Perguntámos um dia a Ana Hatherly o que gostaria que os anjos dissessem neste mundo da globalização. Com a claridade das suas palavras e do seu olhar respondeu-nos:
«Que iriam, finalmente, cuidar de nós, porque não o têm feito».
Nascida no Porto, esta grande senhora da arte poética (tanto na palavra como na expressão plástica) deixou-nos com 86 anos. Morreu em Lisboa.
Nome de referência na cultura e docência universitária, nomeadamente no estudo do barroco e de Rilke, espírito vanguardista, irreverente, dado ao questionar sistemático, marcante nas intervenções que levariam à fundação do Movimento da Poesia Experimental Portuguesa (de que sobressai também o poeta E.M. de Melo e Castro), a autora de obras como VolúpsiaTisanas ou Cidade das Palavras interrogava-se se alguém poderia, «num mundo terrível, criar o verso de júbilo»? E tinha como indispensável «devolver o culto do espiritual à sua pureza anterior». Assim o sublinhou numa entrevista que lhe fizemos em maio de 2000. Nesse momento adiantou-nos ainda que «a verdade do autor é a qualidade da sua obra».
A qualidade da obra de Ana Hatherly perdurará com toda a sua verdade.

5 AGOSTO 2015

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Algarve: UNESCO convida cidade portuguesa para património mundial

Em reconhecimento do seu trabalho de requalificação urbana, a UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura convidou o município de Vila Real de Santo António, no Algarve, a candidatar o núcleo pombalino do seu centro histórico e a vila de Cacela Velha à Lista Indicativa do Património Mundial.

Em comunicado ao Boas Notícias, a autarquia de Vila Real de Santo António explica que a candidatura tem em consideração o facto de o seu núcleo histórico constituir, na atualidade, um dos melhores exemplos da arquitetura e do urbanismo do século XVIII - uma cidade fábrica, fundada de raiz nos ideais iluministas - cuja importância está identificada e preservada no Plano de Pormenor de Salvaguarda do Núcleo Pombalino do município.

Projetada para ser a cidade ideal do Iluminismo, Vila Real de Santo António, tal como a Baixa Pombalina, em Lisboa, "teve por base o conceito de racionalização geométrica, tendo todas as dimensões e formas do seu traçado ortogonal sido definidas proporcionalmente, desde a métrica das ruas aos quarteirões, lotes, edificações e vãos de portas e tipos de edifícios".


terça-feira, 11 de agosto de 2015

Cante alentejano e fado de Coimbra em Alfama

Festival 'Aqui mora o fado'. O grupo de cante alentejano A Moda Mãe integra o cartaz do 3.º Festival 'Aqui mora o fado', que acontece em setembro em Lisboa, e que conta com um novo palco no Lavadouro Municipal de Alfama. Na edição deste ano, pela primeira vez participa um grupo de cante alentejano, tradição musical considerada pela UNESCO, tal como fado, Património Cultural Imaterial da Humanidade, e um ensemble de fado de Coimbra,

O grupo de cante, liderado por José Emílio (ex-Adiafa) é ainda formado por António e Luís Batista Caixeiro, e visa divulgar as modas do Cancioneiro Popular Alentejano, segundo comunicado da organização. O festival que se realiza no bairro de Alfama, nos dias 18 e 19 de setembro, conta com 14 palcos, o principal 'Palco Caixa', instalado frente ao rio Tejo, dois no Museu do Fado - no auditório e no restaurante -, um no Largo das Alcaçarias, em três agremiações recreativas - Sociedade Boa União, Grupo Sportivo Adicense e Centro Cultural Dr. Magalhães Lima -, nas igrejas de S. Miguel e Stº. Estevão, bem como na escadaria desta, nos largos de S. Miguel e do Chafariz de Dentro, onde acontece o projeto "Fado à janela", e ainda no lavadouro municipal. No palco do lavadouro atuam os fadistas Miguel Ramos, também violista, Vanessa Alves, que o ano passado foi convidada de Maria da Fé, Jaime Dias e Ana Maurício. In
Correio da Manhã.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Jovens restauram azulejos de estações ferroviárias

Um grupo de alunos do curso de Conservação e Restauro da Escola das Artes da Universidade Católica do Porto está a restaurar os painéis de azulejos das estações de caminhos-de-ferro de Ovar e Esmoriz. A iniciativa prolonga-se até à próxima sexta-feira, 31 de Julho, e destina-se a garantir que o município continua a fazer jus ao título de "cidade-museu do azulejo".

"Além do importante contributo para a comunidade" através da "recuperação cultural e artístico português", esta intervenção de conservação e restauro "permite aos estudantes sair do ambiente académico e realizar uma experiência no terreno, supervisionada por docentes e monitores", explica a Católica Porto em comunicado enviado ao Boas Notícias.


Carmen Miranda é uma emigrante como as outras: voltou à terra em Agosto

Antes de a levar ao Brasil, o Real Combo Lisbonense tinha de a trazer aqui: Várzea de Ovelha, o lugar onde a rapariga dos chapéus tutti-frutti nasceu e foi baptizada. Um baile popular, para ela matar saudades da terra, para a terra matar saudades dela.

Carmen Miranda viajou muito, mas não o suficiente para voltar ao lugar onde nasceu a 9 de Fevereiro de 1909 e de que saiu com apenas dez meses para se abrasileirar, primeiro, e americanizar, depois.
Mas o que faria ela em Várzea de Ovelha, lugar onde então não havia – continua a não haver – avenidas, Copacabana, arranha-céus e estúdios de cinema com estrelas (ela diria stars, embora tenha sido sempre mais fiel a “eu te amo” do que a “I love you”) do tamanho e do sarcasmo de Groucho Marx? Mais grave: onde arranjaria ela bananas e ananases para os seus chapéustutti-frutti e, sobretudo a sua palavra inglesa favorita, “money, money,money”, bem de primeira necessidade cuja escassez continua a alimentar sucessivas vagas de emigração em todo o concelho de Marco de Canaveses (embora já não para o Brasil, como foi tradição passada de pais para filhos e de avós para netos)?