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domingo, 3 de janeiro de 2016

Sobem para 215 milhões os falantes de português a usar o Acordo Ortográfico

Os ritmos de aplicação do Acordo Ortográfico são muito variáveis entre os vários países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
A aplicação do Acordo Ortográfico, a partir de hoje, no Brasil eleva para 215 milhões os falantes de Português a usar a nova grafia, mas a norma está em diferentes estágios de implementação nos vários países que a ela aderiram.
O Brasil, que assinou o acordo em Lisboa a 16 de Dezembro de 1990 e o ratificou a 18 de Abril de 1995, terminou, no último dia de 2015, o período de transição, tornando a norma obrigatória a partir de hoje.
Dos 215 milhões, a grande fatia cabe ao Brasil, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística estima ter 204.450.649 habitantes, seguindo-se os 10,3 milhões de portugueses, em números redondos facultados em Julho passado pelo Eurostat, e os 512.096 cabo-verdianos, segundo um levantamento efectuado em 2013 pelo Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde.
Os ritmos de aplicação do Acordo Ortográfico são, contudo, muito variáveis entre os vários países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assinalou Marisa Guião de Mendonça, directora-executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) em entrevista à agência Lusa.


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Recolha de assinaturas para referendar Acordo Ortográfico


Um grupo de cidadãos, entre os quais se contam políticos de vários quadrantes, escritores, artistas, cientistas e outras figuras públicas, lançou esta sexta-feira uma Iniciativa de Referendo (IR) ao Acordo Ortográfico (AO), que se encontra agora na fase de recolha de assinaturas.
Manuel Alegre, António Arnaut e Helena Roseta, da área do PS, Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite e Mota Amaral, do PSD, ou Bagão Félix e António Lobo Xavier, do CDS, são alguns dos políticos que aceitaram ser mandatários desta iniciativa, que vem dar cumprimento a uma moção aprovada no Fórum Pela Língua Portuguesa, realizado em Abril passado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Para que o projecto de lei de referendo ao AO seja obrigatoriamente votado no Parlamento, será necessário reunir 75 mil assinaturas, um objectivo que o jurista Artur Magalhães Mateus, porta-voz da comissão executiva da IR, acredita que irá ser atingido, ainda que critique a discrepância entre este número e as 7500 assinaturas que a lei exige a quem pretenda candidatar-se a Presidente da República.
O facto de uma anterior petição contra o AO ter reunido mais de 110 mil assinaturas sugere que a tarefa é exequível, mas já não será provavelmente tão fácil, tendo em conta os anteriores momentos em que o Acordo foi à Assembleia da República (AR), conseguir que esta vote favoravelmente a realização do referendo.

domingo, 16 de novembro de 2014

Acção judicial popular contra Acordo Ortográfico




Mais de uma centena de personalidades de diversas áreas – incluindo académicos, escritores, músicos, actores e políticos de vários quadrantes – intentou, no Supremo Tribunal Administrativo, uma acção judicial popular contra a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) ao sistema de ensino público, do ensino primário ao secundário.
Manuel Alegre, Diogo Freitas do Amaral, António Arnaut, António Bagão Félix e Isabel Pires de Lima são alguns dos ex-governantes que subscrevem a acção, a par de José Pacheco Pereira e Miguel Sousa Tavares, dos músicos António Victorino d’Almeida, João Braga, Pedro Abrunhosa, Pedro Barroso ou Rão Kyao, dos escritores Joaquim Pessoa e Teolinda Gersão, da actriz Lídia Franco ou de professores e ensaístas, como Miguel Tamen, Raul Miguel Rosado Fernandes ou o prestigiado camonista e teórico da literatura Vítor Aguiar e Silva.
A acção judicial foi patrocinada por Francisco Rodrigues Rocha, docente da Faculdade de Direito da Universidade Lisboa, e a respectiva fundamentação foi preparada a partir de pareceres jurídicos de Ivo Miguel Barroso, docente da mesma faculdade, e de Fernando Paulo Baptista, filólogo que publicou um livro em que analisa o modo como a aplicação do AO90, ao impor “a supressão arbitrária” das consoantes “c” e “p”, contribuiu para distanciar a ortografia portuguesa das principais línguas europeias, do castelhano, francês, italiano ou romeno ao inglês e alemão.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ciberduvidas: Amnésia ou ignorância?



Há mais de cem anos já havia quem, no Brasil, sugerisse o que pretendem agora os que defendem a abolição do “h” em hoje (“oje”) e que quero passasse a escrever-se “qero”. E já havia quem, em 1907, se insurgisse contra tais propósitos anarquizantes da escrita como se recorda neste artigo do mais reputado gramático brasileiro vivo.
 Enquanto não passavam de desacertadas opiniões de pessoas desinformadas da história das propostas iniciais, expostas em 1885 e consubstanciadas na primeira reforma ortográfica, de 1911, íamos mostrando, em jornais e revistas, a tais reformistas a sem-razão de adotar oficialmente algumas sugestões de simplificação ortográfica, entre as quais a abolição do h inicial – “oje” por hoje – ou a redução da forma quero em “qero”. Embora os defensores dessas simplificações nunca tenham chamado a atenção dos seus leitores para o fato de que algumas dessas propostas muito parecidas já tivessem sido anunciadas, cabe lembrar que a pretensa novidade data, pelo menos, do século 19.

Ciberduvidas.http://intransit.blogs.nytimes.com/2014/09/10/a-makeover-for-a-lisbon-food-market/?_php=true&_type=blogs&module=Search&mabReward=relbias%3Ar%2C{%222%22%3A%22RI%3A15%22}&_r=0

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Hoje: Palestra sobre Acordo Ortográfico...




Esta noite, pelas 19:30 horas, haverá palestra sobre o Acordo Ortográfico no Cantinho da Cultura (Centro Português), ao cuidado do Professor Paulo Feytor Pinto.

Paulo Feytor Pinto concluiu o doutoramento em Estudos Portugueses especialidade em Política de Língua pela Universidade Aberta em 2008. É professor adjunto convidado na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. Publicou 19 artigos em revistas especializadas, 15 trabalhos em atas de eventos, 7 capítulos de livros e 12 livros, (co)autor de 7 e (co)editor de 5. Apresentou 66 comunicações em eventos, 22 no estrangeiro e 44 em Portugal. A sua produção científica totaliza 73 itens e a produção técnica totaliza 103 itens. Coorientou 1 tese de doutoramento e 1 dissertação de mestrado nas áreas de Ciências da Educação e Línguas e Literaturas. Entre 1997 e 2013 participou em 6 projetos de investigação, sendo que coordenou 1 destes. Atua nas áreas de Humanidades com ênfase em Línguas e Literaturas e de Ciências Sociais com ênfase em Sociologia e em Ciências da Educação. Nas suas atividades profissionais interagiu com 31 colaboradores em coautorias de trabalhos científicos.

domingo, 6 de julho de 2014

Palestra sobre Acordo Ortográfico...


Amanhã,  segunda-feira, dia 7 de Julho, pelas 19:30 horas, haverá palestra sobre o Acordo Ortográfico no Cantinho da Cultura (Centro Português), ao cuidado do Professor Paulo Feytor Pinto.

Paulo Feytor Pinto concluiu o doutoramento em Estudos Portugueses especialidade em Política de Língua pela Universidade Aberta em 2008. É professor adjunto convidado na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. Publicou 19 artigos em revistas especializadas, 15 trabalhos em atas de eventos, 7 capítulos de livros e 12 livros, (co)autor de 7 e (co)editor de 5. Apresentou 66 comunicações em eventos, 22 no estrangeiro e 44 em Portugal. A sua produção científica totaliza 73 itens e a produção técnica totaliza 103 itens. Coorientou 1 tese de doutoramento e 1 dissertação de mestrado nas áreas de Ciências da Educação e Línguas e Literaturas. Entre 1997 e 2013 participou em 6 projetos de investigação, sendo que coordenou 1 destes. Atua nas áreas de Humanidades com ênfase em Línguas e Literaturas e de Ciências Sociais com ênfase em Sociologia e em Ciências da Educação. Nas suas atividades profissionais interagiu com 31 colaboradores em coautorias de trabalhos científicos.

domingo, 29 de junho de 2014

Palestra sobre Acordo Ortográfio.

No dia 7 de Julho, pelas 19:30 horas, haverá palestra sobre o Acordo Ortográfico no Cantinho da Cultura (Centro Português), ao cuidado do Professor Paulo Feytor Pinto, especialista em Língua Portuguesa.

Em evento que interessa a professores, alunos e falantes da nossa língua.

Paulo Feytor Pinto concluiu o doutoramento em Estudos Portugueses especialidade em Política de Língua pela Universidade Aberta em 2008. É professor adjunto convidado na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. Publicou 19 artigos em revistas especializadas, 15 trabalhos em atas de eventos, 7 capítulos de livros e 12 livros, (co)autor de 7 e (co)editor de 5. Apresentou 66 comunicações em eventos, 22 no estrangeiro e 44 em Portugal. A sua produção científica totaliza 73 itens e a produção técnica totaliza 103 itens. Coorientou 1 tese de doutoramento e 1 dissertação de mestrado nas áreas de Ciências da Educação e Línguas e Literaturas. Entre 1997 e 2013 participou em 6 projetos de investigação, sendo que coordenou 1 destes. Atua nas áreas de Humanidades com ênfase em Línguas e Literaturas e de Ciências Sociais com ênfase em Sociologia e em Ciências da Educação. Nas suas atividades profissionais interagiu com 31 colaboradores em coautorias de trabalhos científicos.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Petição contra Acordo Ortográfico vai a plenário em São Bento

Chegou ao Parlamento a 26 de Abril e ganhou “luz verde” da Comissão de Educação, Ciência e Cultura para ser discutida em plenário

A petição “Pela desvinculação de Portugal ao ‘Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa’ de 1990”, com 6212 assinaturas, vai ser discutida em plenário na Assembleia da República. A decisão foi tomada na Comissão Parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, onde foi aprovado, a 16 de Julho, um relatório nesse sentido.
No relatório que dá provimento à petição e a remete agora para plenário, assinado pelo deputado relator Michael Seufert, refere-se (pág.18) que “é um facto objectivo que, tirando os académicos envolvidos na elaboração do próprio Acordo, é difícil encontrar uma opinião da academia portuguesa favorável ao acordo – por razões variadas”
No mesmo documento (pág. 21), antes da emissão do parecer, escreve o deputado relator: “Pouco há a assinalar contra reformas ortográficas que assinalem as normais e duradouras mudanças que as línguas sofrem ao longo dos anos. Não é o caso desta. Como os países de língua portuguesa evoluem o ‘seu’ Português de forma independente, uma reforma ortográfica clara e simplificadora provavelmente criaria mais diferenças do que identidades entre as várias formas de Português. Não viria mal ao mundo por isso e seria mais útil para cada um dos povos que escreve Português do que criar uma “ortografia unificada de língua portuguesa” de utilidade duvidosa. Aliás, de alguma maneira essa ortografia unificada contraria a própria história.”


sexta-feira, 7 de junho de 2013

PEN Club Português pronuncia-se sobre Acordo Ortográfico...


            Na Assembleia Geral do PEN Internacional em Setembro de 2012, os 89 Centros presentes no Congresso de Gyeongju, Coreia do Sul, aprovaram por unanimidade uma Declaração sobre o Acordo Ortográfico (AO) de 1990, imposto a grande parte da população portuguesa desde o início de 2012, na qual se expressava a preocupação do Comité de Tradução e Direitos Linguísticos.
           Em síntese, a posição do PEN Club resume-se assim:
 
1.      Defendem a necessidade de suspensão imediata da aplicação do AO, a fim de que possa ser retomada uma discussão pública séria sobre um assunto que não pertence ao foro político nem económico mas linguístico e cultural;
2.      Consideram que, tal como os autores dos pareceres qualificados sobre o Acordo, que em 2008 foram completamente ignorados e cuja opinião deve ser tomada em consideração, também os escritores, que trabalham com a matéria-prima da língua e que na sua grande maioria sofrem com os resultados da amputação das raízes em muitas palavras, tornando estas irreconhecíveis, têm que ser ouvidos, quer individualmente, quer através das organizações que integram, como a Associação Portuguesa de Escritores (APE), o PEN Clube Português e a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA).

sexta-feira, 22 de março de 2013

“Cidadãos da língua portuguesa” sentem-se assaltados pelo Acordo Ortográfico


Escritores, jornalistas, professores e alunos reuniram-se na quarta-feira para debater o Acordo Ortográfico, no fórum "Onde Pára e Para Onde Vai a Língua Portuguesa?", Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. João Bosco Mota Amaral, Miguel Sousa Tavares, Nuno Pacheco e Maria Alzira Seixo pronunciaram-se contra o diploma, na qualidade de “cidadãos da língua portuguesa” - palavras de Miguel Sousa Tavares.
“Não sou linguista, gramático nem especialista, sou um simples utilizador da língua, que se sente assaltado como os cipriotas, que têm dinheiro nos bancos, se sentem neste momento”, revelou durante a sessão. Definiu como “surreal” a encruzilhada que se vive neste momento. “Neste momento, há três dialectos oficiais de português: o que se fala no Brasil, o que se fala em Moçambique, Angola e outros PALOP, que é o nosso antigo; e há o nosso acordo, que só nós aplicamos. Sendo que queríamos unificar, ficámos sozinhos num suposto texto unificador da língua portuguesa”, afirmou.
“Um dos argumentos iniciais era: ‘a língua tem de ser uma coisa de todos’. Mas a língua já é uma coisa de todos, uns escrevem melhor, outros pior, uns são escritores, outros quase analfabetos. A sociedade sempre conseguiu viver com isto, da mesma forma como consegue viver com as diferenças que existem entre cada país”, disse Nuno Pacheco, Vice-Director do PÚBLICO. “Desde a República, que não existe uma coincidência entre a forma como o Brasil e Portugal escrevem. A própria estrutura frásica é diferente e não é um acordo ortográfico que vai resolver isso. Temos de entender que essas diferenças são óptimas”, continuou. 


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A falsa unidade ortográfica


«Para que serve um “acordo ortográfico”? Para unificar a ortografia de povos que falam a mesma língua. Ora, com este acordo
ormal;">, a ortografia da Língua Portuguesa não se unificou», sustenta a professora Maria Regina Rocha, neste artigo, saído originalmente no jornal Público de 19-01-2013. O texto que aqui se transcreve é a versão que a autora entendeu ficar em linha no Ciberdúvidas.
Tentei obter resposta a uma pergunta simples: quantas palavras se escreviam de forma diferente no Brasil em comparação com a forma como as mesmas palavras se escreviam em Portugal e nos restantes países de Língua Oficial Portuguesa antes do Acordo e depois do Acordo? Não consegui obter uma resposta objectiva da parte de defensores do Acordo Ortográfico. Pergunto: parte-se para a tentativa de aplicação de um acordo ortográfico sem se saber claramente quantas palavras é que mudam na ortografia?

Assim, procurei a resposta, consultando o «Vocabulário de Mudança» disponibilizado no Portal da Língua Portuguesa (http://www.portaldalinguaportuguesa.org/).

E, considerando a informação aí veiculada, a resposta é a seguinte (contagem feita manualmente): antes do Acordo – e exceptuando as palavras com alteração do hífen, as palavras graves acentuadas no Brasil e não em Portugal (como idéiaideia) e as palavras com trema (pelo seu número residual e por tais situações afectarem sobretudo a ortografia brasileira) –, havia 2691 palavras que se escreviam de forma diferente e que se mantêm diferentes (por exemplo, factofato), havia 569 palavras diferentes que se tornam iguais (por exemplo, abstracto e abstrato resultam em abstrato), e havia 1235 palavras iguais que se tornam diferentes.

Está a ler bem: com o Acordo Ortográfico, aumenta o número de palavras que se escrevem de forma diferente!
Ciberduvidas.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Graça- Moura: Acordo Ortográfico...

Pelos vistos há quem, tendo defendido apressadamente a entrada em vigor do Acordo Ortográfico e a sua pronta aplicação entre nós, comece a entrar em pânico, por ver agora esse viçoso horizonte da escrita lusitana recuar para o limbo da irrecuperabilidade de tão fecundas perspectivas.
Realmente, o esforço que essas pessoas despenderam está a tornar-se dia a dia mais inglório para tão destemidos seres. Mas eles ainda tentam uma cartada desesperada: alvoroçam-se a advertir as massas ignaras de que, nada disso!, o Brasil mais não fez do que adiar a data de início de aplicação do famigerado documento e, como acontece com o Benfica, quem não é por ele não é bom chefe de família!

Consideram intolerável que andem por aí uns vadios de bazuca ao ombro que não desistem de atirar contra esse texto sacrossanto e afinal ele mantém-se em vigor, forte, fiel, façanhoso, no esplendor inconsútil e diamantino da sua formulação de 1990...
O azar dos Távoras desses defensores do Acordo é que, primeiro, nunca leram devidamente o texto dele e, segundo, não têm lido os jornais, em Portugal e, sobretudo, no Brasil.
Se o tivessem feito, teriam percebido sem grande convulsão cerebral por que razões até o Brasil recusa o dito na sua forma presente, de tão mau que o papel é, e ficavam também a saber que o adiamento veio culminar um processo de protestos consecutivos da sociedade civil brasileira reclamando toda uma série de alterações às normas nele contidas.

Mais sobre o (des)Acordo Ortográfico...

A intrigante sanha anti-Acordo Ortográfico *

M. Gaspar Martins**

«Surpreende-me haver tanta gente a protestar contra um Acordo Ortográfico que não mexe na oralidade mas procura, sem ir tão longe quanto devia, simplificar a escrita. Não vejo a mesma tenacidade no combate às afrontas à nossa língua, como (…) por exemplo (…) haver uma faculdade pública onde todas as aulas são dadas em inglês (…).» Carta publicada no jornal Público de 12/04/2012.
Intriga-me a sanha
anti-Acordo Ortográfico (AO) que o Público não se cansa de difundir. Também sou contra, mas não pelas razões apresentadas que se fundam essencialmente na tradição, no saudosismo, na etimologia.Tentam ridicularizar a eliminação das consoantes mudas que ajudam a abrir a vogal anterior. Ora há numerosas palavras em que tal não se verifica (actriz, actual, actividade, etc.). Acabo de ler a carta de um leitor alarmado com a eliminação da consoante muda em ótica por poder ocasionar confusões que levem a operar aos ouvidos quem sofre de cataratas… Erros médicos surgem por falta de diligência, não pelas palavras até porque faladas (óptica/ótica) pronunciam-se de igual modo.
Ciberdúvidas.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Vasco Graça Moura e o (des)Acordo Ortográfico...


As questões de fundo relativas à aplicação do Acordo Ortográfico continuam por resolver. Não entrou em vigor, mas há sectores, tanto oficiais como privados, em que vigora sem rodeios especiais o princípio do faz-de-conta. Faz-se de conta que o Acordo já se aplica de pleno e estropia-se alegremente a nossa língua. Jornais e editoras continuam a fazê-lo da maneira mais bárbara. Há já alguns livros importantes que saem cheios dos correspondentes aleijões. E eles só não vieram ainda afectar uma série de clássicos da língua pela razão singela de que cada vez menos se cura de editá-los e pô-los ao alcance de toda a gente.
Ninguém parece ter sequer acordado para a necessidade de uma revisão. As duas grafias coexistem, porque, felizmente, um quotidiano importante e uma grande parte dos colaboradores da imprensa lusitana se mantêm fiéis à grafia anterior e esta é, por enquanto, a única que, legalmente, pode e deve ser aplicada. Toda a gente sabe que é assim e não vale a pena repeti-lo.
É possível que o lobby das editoras, depois de se ter precipitado na adopção do Acordo em livros escolares, manuais, dicionários e agora noutras publicações, procure impor essa coisa sem nome em todos os sectores da vida nacional, em especial no escolar. Também é possível que o poder não saiba lá muito bem o que fazer, seguindo e alimentando, neste aspecto, a desorientação das escolas.


 

 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Personalidades exigem revogação do "desconchavado" Acordo Ortográfico


Vários especialistas em linguística e outros cidadãos enviaram uma carta, ao ministro da Educação e Ciência, na qual exigem a revogação do Acordo Ortográfico de 1990, que qualificam de "desconchavado e pessimamente fundado e inútil".

"Requeremos a tomada de iniciativas e influência no sentido de suscitar, no âmbito do atual Governo, a imediata revogação da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011, bem como a revogação da Resolução da Assembleia da República n.º 35/2008", exigem os certa de 200 subscritores da carta, para os quais, se trata "de reparar um erro colossal, cometido apressadamente, graças a estas resoluções".

tyle="mso-ansi-language: PT;">Na carta lê-se que "a suposta unificação da língua é impossível, porquanto persistem diferenças inconciliáveis", e afirma-se que "a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 tem gerado crescente iliteracia em publicações oficiais, na imprensa e na população em geral".


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Acordo Ortográfico: O cadáver adiado

No Brasil, tratava-se fundamentalmente de sacrificar o trema e o acento agudo em meia dúzia de casos. E ninguém se resignava às regras absurdas de emprego do hífen... Com isso, bastou o abaixo-assinado de uns 20 mil cidadãos para se adiar a aplicação de uma coisa trapalhona denominada Acordo Ortográfico (AO). Os políticos ouviram a reclamação, estudaram-na e assumiram-na, e a sr.ª Rousseff decidiu.
Em Portugal, o número de pessoas que tomaram posição contra o AO já ultrapassava as 120 mil em Maio de 2009. Hoje, e considerando tanto o Movimento contra o AO de então como a actual Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) com a mesma finalidade, esse número é incomparavelmente mais elevado.

Portugal bem pode propor a todos os quadrantes ideológicos e parlamentares da sua classe política que se assoem agora a este cruel guardanapo.
Faltou-lhes a coragem de respeitar as opiniões autorizadas, a capacidade de reflectir com lucidez sobre o assunto, a vontade cívica de se informarem em condições.

Acabaram a produzir este lindo serviço, com a notável excepção do relatório Barreiras Duarte, aprovado por unanimidade na Comissão Parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura (Abril de 2009), mas que não teve qualquer efeito prático.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Vasco Graça Moura: Acordo “delirante”

O presidente do Centro Cultural de Belém considerou “delirante” manter o Acordo Ortográfico depois de o Brasil ter adiado a sua aplicação para 2016.  In Correio da Manhã.

Mais: O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 pretende instituir uma ortografia oficial unificada para a língua portuguesa, com o objetivo explícito de pôr fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes, uma no Brasil e outra nos restantes países de língua oficial portuguesa, contribuindo assim, nos termos do preâmbulo do Acordo, para aumentar o prestígio internacional do português. Na prática, o acordo estabelece uma unidade ortográfica de 98% das palavras, contra cerca de 96% na situação anterior.

(...)

A adoção da nova ortografia, de acordo com o Anexo II do Acordo — a Nota Explicativa do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990[3] — que se baseia numa lista de 110 mil lemas da Academia das Ciências de Lisboa,[4] acarreta alterações na grafia de cerca de 1,6% do total de palavras (lemas) na norma em vigor em Portugal, PALOP, Timor-Leste e Região Administrativa Especial de Macau e na grafia de cerca de 0,5% do total de palavras (lemas) na brasileira.[5] Mas, de acordo com o vocabulário[6] elaborado em 2008 pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (Lisboa) a partir da base de dados linguísticos MorDebe[7] com 135 mil lemas, a percentagem de lemas afetados — ou seja, palavras simples não flexionadas que constituem entradas num dicionário ou vocabulário — ascende a quase 4% na norma europeia.[8] Este número inclui tanto as palavras que apresentam modificações efetivas na grafia, como as que passam a ser variantes legalmente válidas em toda a CPLP.

O teor substantivo e o valor jurídico do tratado não suscitaram consenso entre linguistas, filólogos, académicos, jornalistas, escritores, tradutores e personalidades dos setores artístico, universitário, político e empresarial das sociedades dos vários países de língua portuguesa.

(...)

Também tem havido contestação ao Acordo com fundamentos políticos, económicos e jurídicos, havendo mesmo quem tenha afirmado, em Portugal, a inconstitucionalidade do tratado.[9][10] Outros ainda afirmaram que o Acordo Ortográfico serve, acima de tudo, a interesses geopolíticos e económicos do Brasil.[11][12] O certo é que o Art.º 9.º (Tarefas Fundamentais do Estado) da Constituição da República Portuguesa refere expressamente o uso e difusão internacional da língua portuguesa, mas não se conhece nenhum parecer autorizado sobre a inconstitucionalidade do teor das bases ortográficas do Acordo de 1990.