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sexta-feira, 6 de novembro de 2015
João Gaspar Simões… O Último Árbitro
Por anos e
anos João Gaspar Simões encarnaria o grande irmão, aterrorizando e protegendo,
verberando e excluindo, os letrados da nossa terra, e desempenhando uma missão
que o situava entre o mestre-escola e o juiz. A tenacidade, e inclusive a
verrina, que injectava na sua canseira de árbitro das letras lusas, não tornariam
a ser igualadas. Excerto de
artigo do escritor Mário Cláudio.
Diário de Notìcias.
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Mário Cláudio
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Os dias dos prodígios para Mário Cláudio na Escritaria
A literatura volta a ocupar a cidade, com lançamento de um romance inédito do escritor.
Há pêssegos, couves e castanhas dentro das caixas da mercearia
localizada na rua que desemboca no Largo da Nossa Senhora da Ajuda, onde uma
placa bem visível anuncia Afixação Proibida. Ora é neste largo que muito da
Escritaria, a festa da Literatura de Penafiel, acontece e por isso são poucos
os que obedecem ao cartaz proibitivo aparafusado à parede da igreja nestes dias
em que o escritor Mário Cláudio é o homenageado da 8.ª edição da iniciativa.
De
quinta-feira até hoje, dia em que encerra a Escritaria, Mário Cláudio já por lá
passou vezes incontáveis e viu o largo repleto de cartazes, faixas, caixotes de
papelão com a reprodução do seu rosto e uma parte do texto do seu novo romance,
lançado oficialmente na sexta-feira à noite naquela cidade. Inaugurou arte
urbana, uma exposição sobre a sua vida em quadros e várias sobre a sua obra.
Quem for curioso deve observar com atenção os cadernos Moleskine em que anota
ideias para os livros porque perceberá melhor o processo de criação. Também
poderá descobrir uma ou outra indiscrição que tenha anotado nos cadernos além
das questões da construção da narrativa.
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Mário Cláudio
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
“Quando se chega aqui, ou se diz tudo, ou mais vale ficar calado”
Astronomia, que Mário Cláudio lança hoje
no Escritaria, em Penafiel, é ao mesmo tempo um romance complexo e inovador e
um desassombrado e minucioso auto-retrato, no qual o escritor se expõe de um
modo raramente visto na ficção portuguesa.
Conta a infância sem se poupar a
nenhum embaraço, das pequenas crueldades que todas as crianças cometem às
ingénuas experiências eróticas com criadas e rapazes. Narra abertamente a longa
relação amorosa que iniciou aos 25 anos com um inglês que não nomeia no livro,
mas que é uma das pessoas que fez questão de ter ao seu lado na homenagem que o
festival Escritaria lhe está a prestar em Penafiel, descreve a sua desolada
passagem pelo funcionalismo público, confessa as ânsias juvenis de
reconhecimento nos anos em que se dava a conhecer ao mundo como escritor,
descreve com demorada minúcia os seus rituais de velhice, a ponto de nos
mostrar como procede ao ensaboamento de orelhas e sovacos, para já não falar
das “nádegas e respectivas adjacências ocultas”. Talvez nenhum romancista
português se tenha exposto tanto como Mário Cláudio neste Astronomia, mesmo se ele próprio vai avisando que o livro, “como todos
os retratos, também é mentiroso”
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Mário Cláudio
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
De Ferreira de Castro a Manoel de Oliveira. As memórias de Mário Cláudio no DN
O escritor percorre as suas memórias e traça retratos de figuras das artes com quem ao longo do tempo se cruzou. Assina a rubrica Alma Vagueante a partir de amanhã, às sextas-feiras.
"Estou numa
idade em que tenho memórias. Todos nós temos memória, mas há uma idade a partir
da qual temos memórias" conta Mário Cláudio, escritor cuja obra conta
ficção, poesia, biografia, teatro ou ensaio. Nasceu no Porto em 1941.
Ao longo dos anos -
em que à atividade de escritor juntou a de professor universitário ou a direção
de bibliotecas - cruzou-se brevemente ou travou amizade próxima com figuras já
desaparecidas das artes portuguesas como Ferreira de Castro, Natália Correia,
Sophia de Mello Breyner, Mário Viegas, Eugénio de Andrade, Vasco Graça Moura ou
Manoel de Oliveira.
O autor deixa, a
partir de sexta-feira, "o registo de alguns encontros com essas figuras,
antes que fossem abandonados pelo tempo" numa rubrica a que chamou Alma
Vagueante. O nome da página do DN em que a partir de agora todos os
sábados deixa um episódio das suas memórias vem do - provavelmente mais
conhecido - verso do imperador Adriano:Animula
vagula blandula.
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