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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Valter Hugo Mãe recusou usar palavra 'não' no último livro

Até agora ninguém reparou que nas 200 páginas de Homens imprudentemente poéticos há uma palavra que nunca é utilizada: o 'Não'

Do escritor Valter Hugo Mãe conhecia-se a decisão de escrever em minúsculas durante uma boa parte do seu percurso enquanto romancista, mas não se esperava que decidisse introduzir uma particularidade no seu mais recente livro, Homens imprudentemente poéticos: a ausência da palavra Não ao longo das suas 200 páginas. É isso que acontece e que, curiosamente, tem passado despercebido.


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Conto inédito de Valter Hugo Mãe editado em "ebook"


Conto "A menina que carregava bocadinhos" editado em "ebook".

A Coolbooks, chancela do grupo Porto Editora, que publica exclusivamente no formato "ebook" (livro eletrónico), edita na quinta-feira o conto inédito do Valter Hugo Mãe, "A menina que carregava bocadinhos". Em declarações à Lusa, Valter Hugo Mãe afirmou, sobre esta publicação em "ebook": "Importa que a literatura encontre a sua paz com o futuro"
 "A edição digital, que entre nós ainda é residual, precisa de ganhar força, sob pena de se perder um caminho que já é inevitável", realçou, em declarações a partir de Boston, nos Estados Unidos, onde se encontra numa residência para escritores.

Nota: O autor já este em Caracas, onde participou num evento do IPC.

Correio da Manhã.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Valter Hugo Mãe: Campanário



As casas na Madeira ficam de montes às costas. Metidas nas arribas como funambulas, são lugares miradouros onde custa crer que a gente se descanse. Todos me dizem que é normal ser assim, sempre foi, são séculos de arquitectura e, sobretudo, de engenharia de altitudes, mas a mim não me tiram a impressão de que, nas encostas altas do Campanário, as montanhas pesam sobre as construções como se as quisessem descer ao mar. (...)
O presépio madeirense é muito único. Com o menino de pé ao cimo de uma certa pirâmide, colocam-se frutas nos degraus aludindo à frescura e à abundância. São oferendas. O menino veste linho bordado cuidadosamente pelas mulheres. Um luxo delicado e discreto. A figura é tão vulnerável e bela que vivem as comunidades em susto com os assaltos para furto destas peças. Tantas vezes fundamentais nas heranças de toda a gente, estes meninos desaparecem por todo o lado. Algumas pessoas colocam nas cómodas uns recentes e arregalados, escondendo os originais em armários fechados. É estranho pensar que a fé vai de original a cópia. (...)
No Campanário, como em quase toda a ilha, as encostas olham umas para as outras como ruas dobradas a meio. Páginas de um mesmo livro que se aproximam mas não se fecham. A percepção da vizinhança é absoluta. Passamos como visíveis. Intensamente visíveis, quero dizer. Numa e noutra montanha, somos um bulício apelativo. As pessoas assomam à janela para nos inspeccionar. Fazem cálculos para saberem quem somos. Como uma página do livro encara a outra, a população vive de nariz virado para a vizinhança. É um modo de segurança. Toda a gente se conhece. A dona Luísa Reis vai na rua e cumprimenta cada alminha e tem pergunta ou resposta para cada alminha porque a freguesia é uma família grande. Fica-se a saber de quem está gordo ou magro, quem já emigrou ou quem voltou, sabe-se das promessas de casamento e das obras nas levadas ou no arranjo dos poços de furnas que são essenciais ao cultivo e aos animais de toda a gente.
Público.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Valter Hugo Mãe anuncia lançamento de "A Desumanização" no Brasil em 2014




O livro "A Desumanização", o mais recente de Valter Hugo Mãe, será lançado no Brasil até maio de 2014, afirmou, esta sexta-feira, o escritor, durante a conferéncia de imprensa de abertura do Festival Pauliceia Literária, em São Paulo.

O autor disse ter "altas expetativas" em relação ao livro, chega às livrarias portuguesas esta sexta-feira, e estar "muito vaidoso" com as boas críticas já publicadas.

A questão principal do livro, afirma Valter Hugo Mãe, é a espiritualização e a conquista da solidão. A estória se passa na Islândia e tem como protagonista uma menina que experimenta o ato de estar só após a morte da irmã gêmea.

"Queria transformar aquela ilha numa meditação lenta e profunda. A Islândia remete à pureza, ao lugar onde o mundo começa outra vez", declarou o autor.

Valter Hugo Mãe está em São Paulo para participar do Festival Pauliceia Literária, no qual integrará uma mesa de debates sobre narrativa, linguagem, ritmo e humor, ao lado do escritor Juan Pablo Villalobos, autor de "Festa no Covil".

"Aqui no Brasil saiu recentemente o 'Apocalipse de Mil Homens', está agora está a sair em Portugal meu sexto romance e eu fico numa mistura de tempos, com a cabeça dividida, entre o apocalipse e a desumanização, algo que faz sentido", afirmou.

sábado, 14 de setembro de 2013

Valter Hugo Mãe entre finalistas do Prémio PT



 O autor português Valter Hugo Mãe está entre os finalistas da 11.ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura, na categoria de melhor romance, anunciou hoje a curadoria do prémio, em São Paulo, no Brasil.

Vencedor no ano passado, com "A máquina de fazer espanhóis", Valter Hugo Mãe chega agora à seleção final com o livro "O filho de mil homens", editado no Brasil pela Cosac Naify. António Lobo Antunes, Lídia Jorge e o moçambicano Mia Couto, que se encontravam entre os semifinalistas anunciados no início de junho, não se classificaram para a lista final.

Os outros três finalistas da categoria romance são os brasileiros Miguel Sanches Neto, com "A máquina de madeira", Daniel Galera, com "Barba ensopada de sangue", ambos editados na Companhia das Letras, e José Luiz Passos, com "O sonâmbulo amador" (Alfaguara).

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Valter Hugo Mãe é o grande vencedor do Prémio Portugal Telecom 2012


O romancista Valter Hugo Mãe, o poeta Nuno Ramos e o contista Dalton Trevisan são os vencedores da 10ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, que foi anunciado em S. Paulo, nesta segunda-feira à noite.


Valter Hugo Mãe é o grande vencedor da 10ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. O escritor português recebeu esta noite numa cerimónia que decorreu no Auditório Ibirapuera, em S. Paulo, no Brasil, o prémio na categoria de melhor romance com a A Máquina de Fazer Espanhóis e também foi o vencedor do Grande Prémio Portugal Telecom 2012.
"Muito obrigado. É uma honra ser finalista com todos esses escritores com quem fui finalista, estava convencido que Bernardo Kucinski [académico brasileiro que escreveu K., um primeiro romance que se passa na época da ditadura e que recebeu uma menção honrosa] ia ganhar", disse o escritor português, emocionado quando recebeu o prémio de melhor romance das mãos do vice-presidente da PT Brasil, Abílio Martins.

sábado, 2 de junho de 2012

Cinco portugueses nomeados para o prémio PT


O anúncio dos nomes dos 60 nomeados, dos jurados e dos curadores do Prémio, assim como as alterações à atribuição, foi feito quarta-feira à noite no Rio de Janeiro.
Nesta 10.ª edição, o Prémio distinguirá uma obra de poesia, uma de conto ou crónica e um romance, recebendo cada vencedor 50 mil reais, cerca de 20 mil euros. Entre os três vencedores o júri atribuirá o Grande Prémio, também no valor de 50.000 reais.
"A reformulação do prémio e a separação por categorias privilegia e promove a diversidade dos géneros literários, valorizando as características singulares de cada género literário e amplia a visão comum a respeito da literatura lusófona. Nem por isso, deixa de distinguir um grande vencedor, com a escolha, simultânea e entre os três vencedores de cada categoria: o Grande Prémio de 2012", segundo um comunicado da Portugal Telecom divulgado hoje.
Ao galardão candidataram-se 502 títulos: 165 obras na categoria Poesia, 139 em Conto/Crónica e 198 em Romance, todos publicados no ano de


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Países lusófonos devem investir na leitura das obras

O escritor português Valter Hugo Mãe afirmou hoje, no lançamento de dois dos seus livros, em São Paulo, que é importante que os países de língua portuguesa invistam na leitura de originais uns dos outros e não deixem de se compreender.
As obras de Hugo Mãe exportadas para o Brasil não sofrem mudanças de vocabulário, apenas adaptações relativas à reforma ortográfica. "Seria uma pena que um dia não nos conseguíssemos entender e precisássemos de uma tradução", disse à agência Lusa.
A tradução, segundo Hugo Mãe, é uma das dificuldades da literatura informal ou que explora construções poéticas em língua portuguesa. "Acabam traduzidos os autores que têm uma escrita mais plana. Se fazemos um trabalho mais relacionado com o modo de falar, ele fica mais confinado a quem fala português", acrescentou.
O escritor lançou esta noite, no Brasil, o primeiro romance que escreveu, "Nosso Reino", e o mais actual, "O Filho de Mil Homens", livros que abordam uma questão comum: a ingenuidade da infância.
Diário de Notícias.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Brasil: Valter Hugo Mãe entre os melhores de 2011


"O REMORSO DE BALTAZAR SERAPIÃO" e "A MÁQUINA DE FAZER ESPANHÓIS": O português valter hugo mãe desembarcou no país em julho, para a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), como um autor praticamente desconhecido entre nós. Saiu do evento consagrado, depois de uma apresentação divertida e comovente (na qual levou a plateia às lágrimas ao falar de sua relação com o Brasil) e de uma sessão de autógrafos que durou horas.
O sucesso de público foi ancorado no lançamento de dois romances: "o remorso de baltazar serapião" (Editora 34), estudo da opressão ambientado na Idade Média, e "a máquina de fazer espanhóis" (Cosac Naify), uma reflexão sobre a velhice.
Ambos exibem a prosa inventiva que Saramago definiu como "um novo parto da língua portuguesa".

Valter Hugo Mãe conquista Brasil

Dois romances do português Valter Hugo Mãe foram ontem incluídos na lista do diário ‘O Globo’ dos melhores livros publicados no Brasil em 2010. ‘O Remorso de Baltazar Serapião’ e ‘A Máquina de Fazer Espanhóis’ estiveram entre as preferências dos críticos.

Valter Hugo Mãe, de 40 anos, que só tomou conhecimento da distinção ao ser contactado pelo CM, ficou "muito contente" por ver ‘oficializado’ o "entusiasmo que os brasileiros tiveram" no Verão, quando o escritor foi uma das sensações da Feira Literária Internacional de Paraty.

"As pessoas estão agora a conhecer a minha obra", disse o escritor, cujo romance mais recente, ‘O Filho de Mil Homens’, deverá ser publicado no Brasil em Abril ou Maio de 2012, altura em que viajará ao país sul-americano, tendo programadas visitas a diversas cidades.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Valter Hugo Mãe em maiúsculas numa noite de coincidencias

Valter Hugo Mãe – assim mesmo, em maiúsculas – anda com Halla na cabeça. É sobre ela, 12 anos, o seu próximo romance. Aos 40, como o homem que é personagem da sua mais recente obra, o escritor lançou este sábado “O filho de mil homens”, numa noite de coincidências e improbabilidades em que o Brasil veio de novo ter consigo.

Hugo Mãe entrou sábado à noite na livraria Ler Devagar, em Lisboa, com 39 anos. Saiu com 40. Pelo meio, os amigos dos livros, da música e do Brasil elogiaram-lhe por antecipação “O filho de mil homens”, o seu quinto romance, o primeiro em que deixa de assinar como valter hugo mãe e aquele em que procura “outras formas de dizer”, como resumirá após uma hora de apresentação ao lado de um par improvável, Mário Soares, e outra ininterrupta de autógrafos.